Parto normal ou cesárea? Saiba tudo o que precisa para tomar a melhor decisão

Você pode se sentir à vontade para escolher o procedimento que considera mais adequado para você e para o seu bebê, e essa decisão deve ser feita junto à equipe médica

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Resumo da Notícia

  • Está grávida e ainda não sabe se deve fazer parto normal ou cesariana?
  • Pois bem, O Bebê em Foco consultou especialistas para te ajudar nessa decisão
  • É importante lembrar que você pode se sentir à vontade para escolher o procedimento mais adequado para você e o bebê

Está grávida e ainda não sabe se deve fazer parto normal ou cesariana? Pois bem, o Bebê em Foco consultou especialistas para te ajudar nessa decisão. Por mais que atualmente os partos normais humanizados estejam cada vez mais comuns, a ideia de que estes são os métodos mais seguros depende de cada caso. Ou seja, você pode se sentir à vontade para escolher o procedimento que considerar mais adequado para você e o seu bebê junto à equipe médica.

Então, qual a diferença entre cesárea e parto normal?

O parto normal é feito via vaginal, sendo que o próprio organismo – e o bebê – informam a hora do nascimento, ou seja, a mulher entra em trabalho de parto. Ele é feito em um hospital, acompanhado de uma equipe médica multidisciplinar — obstetra, enfermeiros, auxiliares e demais profissionais da área da saúde.

Já a cesárea é uma cirurgia, em que o nascimento do bebê é planejado com base no tempo gestacional. Costuma ser indicada principalmente quando existem fatores de risco tanto à mãe e/ou quanto ao bebê. No entanto, a maioria das gestantes pode realizar esse procedimento – mesmo sem indicação.

Existem diferenças entre os partos (Foto: reprodução/ Freepick)

A principal diferença é em relação a recuperação. De acordo com Evandro Oliveira, ginecologista, obstetra e diretor médico da Maternidade Brasília, a paciente que tem parto normal tem uma recuperação mais rápida e com menos riscos – porque é menos agressivo. Já a dor do parto normal é maior antes da criança nascer. “A dor da cesariana é grande depois da cirurgia – os riscos de inflamação e sangramentos também são maiores neste caso”, explica.

Para especialistas, cerca de 80 a 90% das vezes a mulher vai entrar em trabalho de parto espontâneo e o nascimento acontece de forma tranquila e sem complicações. No entanto,  que assusta é a dor, mas os médicos alertam que são pontuais e suportáveis.

Da mesma maneira, é importante desconstruir algumas ideias da cesariana. A tecnologia veio para fortalecer esse processo do nascimento e algumas mulheres geralmente optam por esse parto por não envolver dor, por conta da anestesia, e normalmente por ser mais rápido. Apesar da recuperação lenta, é importante saber que a anestesia não apresenta mais risco e as cicatrizes podem ser bem pequenas.

E Oliveira ainda afirma: “Não existe o melhor parto. O que mais importa é o preparo da mãe. E o que a gente tem que levar em consideração? A saúde do bebê e da mãe. E é o pré-natal vai estabelecer essa escolha”.

Riscos do parto normal e da cesárea

Descubra os principais riscos dos partos (Foto: reprodução/ Freepick)

O principal risco é uma orientação ou indicação errada. Oliveira explica que existem coisas que devem evitadas com um bom planejamento. “Quando se deixa  um parto normal evoluir, sabendo que a criança pode entrar em sofrimento e acabar virando uma cesariana de urgência, pode haver um risco. Ou, se antecipar um parto e trazer essa criança antes do tempo correto por conta de uma necessidade materna ou que não tenha outra indicação que não a social, também é um perigo”, alerta.  Todavia, para reduzir os riscos o pré-natal é sempre superimportante.

De acordo com a BBC, um estudo chamado “Morte materna no século 21”, publicado em 2008 no periódico American Journal of Obstetrics and Ginecology, analisou 1,46 milhão de partos e encontrou um risco de óbito dez vezes maior para a gestante em cesarianas. Enquanto a taxa de morte em partos normais foi de 0,2 para 100 mil, no caso das cesáreas chegou a 2,2 por 100 mil. Entretanto, deve-se levar em conta que, em parte dessas cesáreas, a situação já era emergencial e mais arriscada.

A recomendação da Organização Mundial de Saúde é para que um país realize até 15% dos seus partos através da cesária. No Brasil, esse número gira em torno de 52%. E, se considerarmos apenas a rede privada, chega a 88% dos nascimentos. Ou seja, estamos bem acima das recomendações.

Gerar um bebê x anestesia 

Atualmente a anestesia não é tão prejudicial (Foto: reprodução/ Freepick)

Existem vários mitos tanto relacionados ao parto normal quanto à cesárea. O principal deles é que a anestesia para cesariana faze mal à mãe. De acordo com Oliveira, atualmente os processos anestésicos são extremamente seguros e acabam levando um risco muito pequeno e discreto. “Na grande maioria das vezes, não existem intercorrências”, garante.

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Além disso, é importante saber que, não necessariamente os partos normais precisam ser feitos sem anestesia. Existem diferentes partos e em alguns deles é possível receber a anestesia (a chamada analgesia de parto). O pré-natal é importante para oferecer todas as informações para orientar a paciente e fazer com que ela saiba todos os prós e contras da analgesia. Pra se ter ideia, alguns partos normais tem evolução tão rápida, que a anestesia é dispensável.

Recuperação 

A recuperação do parto normal é mais rápida e permite mobilidade maior da paciente – que consegue voltar às atividades com mais facilidade. A recuperação da cesariana é mais lenta. Vai obrigar, principalmente nas primeiras semanas, um repouso maior e uma diminuição dos movimentos – o que te levará a precisar de mais ajuda e assistência.

“É importante frisar a importância do repouso, independentemente do tipo de parto. Para que, ao final dos 40 dias, que é o prazo considerado para uma boa recuperação de parto, a mãe se encontre apta a retornar às suas atividades diárias normalmente”, explica o médico.

Quem fez cesária pode ter parto normal depois?

Cesárea é uma opção (Foto: reprodução/ Freepick)

O fato de ter tido uma cesariana não significa que, obrigatoriamente os outros partos tem que ser uma cirurgia. Da mesma forma que, um primeiro parto normal, não exclui a possibilidade de uma cesariana em uma segunda gravidez.

O ideal é um tempo de segurança, necessário para o útero não romper em um parto normal depois de uma cesariana, por exemplo. “O período de um ano seria o mínimo. Quanto maior a proximidade, maiores os riscos do útero romper”, explica o ginecologista.

O que é o parto humanizado?

O parto humanizado é um parto em que a grávida tem controle e decisão sobre todos os aspetos do trabalho de parto como posição, local, anestesia ou presença de familiares. É aquele parto que acontece com o mínimo de interferência médica e com o uso muito restrito de medicamentos ou qualquer conduta obstétrica.

É um parto em que o médico apenas acompanha a paciente e deixa que as coisas aconteçam de forma natural. É propiciar o parto de uma forma mais humana. É possível também, para qualquer imprevisto, transformar esse parto em algo conduzido por um obstetra.

Informe-se! 

Buscar informação é fundamental (Foto: reprodução/ Freepick)

Independente do tipo de parto e das circunstâncias, os especialistas são unânimes numa questão: a melhor forma da mãe tomar uma decisão é informar-se. É possível consultar os sites da Febrasgo e da Associação Médica Brasileira, órgãos que publicam diretrizes sobre partos normais e cesarianas. Normalmente, o hospital oferece serviço de ouvidoria e dá acesso à meios que ajudem as mães a tirarem as dúvidas.

Além disso, é possível fazer visitas guiadas para que a gestante conheça o local onde terá o bebê, e é superimportante que você tire todas as suas dúvidas e se informe com o seu obstetra durante o pré-natal. Assim, você chegará à melhor decisão, levando em consideração a sua saúde e a do seu bebê.

Fonte: Evandro Oliveira é ginecologista, obstetra e diretor médico da Maternidade Brasília