Natal: como falar com as crianças sobre o Papai Noel e suas tradições?

De geração em geração: Luzes piscando por toda a parte, presépios, pinheiros, família reunida e uma ceia grande e farta. Mas afinal, de onde surgiu tudo isso?

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Resumo da Notícia

  • De geração em geração, existem tradições que fazem parte de toda festa de Natal;
  • Luzes piscando por toda a parte, presépios, pinheiros, família reunida e uma ceia grande e farta. Além disso, a presença ilustre do bom velhinho Papai Noel;
  • Mas de onde surgiu tudo isso?

De geração em geração, existem tradições que fazem parte de toda festa de Natal. Luzes piscando por toda a parte, presépios, pinheiros, família reunida e uma ceia grande e farta. Além disso, a presença ilustre do bom velhinho Papai Noel. Mas como sabemos, as crianças não se contentam com a ideia de que “sempre foi assim”, elas precisam de respostas para os famosos “por quês” – e isso é incrível. Mas, também não é fácil.

Para essa missão o Bebê em Foco reuniu psicólogos e historiadores para te ajudar a explicar cada “por quê”, tim-tim por tim-tim. Das decorações até a verdade sobre o velho Noel.

Mas afinal, qual a história do Natal?

Natal (Foto: Freepick)

Existem diversas origens possíveis para o Natal. Para Fatima Gomes, professora doutora em Ciências Sociais e Políticas da Universidade Católica de Petrópolis, esta data é comemorada pela humanidade bem antes do nascimento de Jesus. O Natal teve origem em festas pagãs que eram realizadas na antiguidade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Cristo, onde os romanos celebravam a chegada do inverno (solstício de inverno). Eles cultuavam o Deus Sol (natalis invicti Solis), e ainda realizavam dias de festividades com o intuito de renovação.

As festas passaram pela Mesopotâmia e anos depois por diversos países da Europa até que surgiu a necessidade de oficializar as comemorações como uma forma de cristianizar as festas pagãs romanas. Rodrigo Rainha, professor do curso de História da Estácio explica que na tradição cristã, a ideia do nascimento de Cristo em 25 de dezembro, foi firmada posteriormente ao momento da vida de Jesus, por convenção. No entanto, para ele, entender o que esse momento representa na tradição cristã é importante.

A antiga festa de todos os santos passou a ser a comemoração de um dia de consternação e o início de um novo momento, um novo nascimento e uma nova luz. As festas foram difundidas no mundo inteiro e acabaram se multiplicando e ganhando muitas versões.

Quais são as principais tradições desta data?

Algumas tradições são seculares e passam de geração a geração, outras são criadas de maneiras especiais pelas próprias famílias ou culturas, mas elas estão sempre presentes. Mas você sabe de onde veio a ideia das árvores de Natal, das luzes ou como surgiu o Papai Noel? A gente explica!

Por que decoramos uma árvore no Natal?

Árvore de Natal (Foto: Freepick)

Nas civilizações antigas, as árvores eram consideradas símbolos divinos que marcavam a aliança entre os céus e a mãe terra. Acredita-se que os povos cortavam Pinheiros – árvores comuns naqueles países – para levar para casa e enfeitar.

Segundo Fatima, há quem diga que essa tradição começou especificamente em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. “Certa noite, enquanto caminhava pela floresta, Lutero ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve. As estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa. Além das estrelas, algodão e outros enfeites, como velas acesas foram usados para mostrar aos seus familiares a bela cena que havia presenciado na floresta”, explicou a especialista.

O que significam as bolas e luzes de Natal?

Luzes de Natal (Foto: Freepick)

Nas tradições das civilizações antigas, enfeitar as árvores era uma forma de sinalizar o retorno do sol. Mas com o tempo, as coloridas bolas e as luzes se ressignificaram e hoje em dia são colocadas nas pontas dos galhos dos pinheiros ou árvores artificiais para representar os frutos da vida humana e seus desejos, tais como amor, esperança, perdão e alegria. De formas e tamanhos diferentes, os enfeites também representam os gestos concretos de amor entre irmãos da Terra.

Por que o presépio é comum nas decorações de Natal?

Presépio (Foto: Freepick)

No Brasil, até a década de quarenta, o presépio era o principal enfeite de Natal. As árvores, luzes e bolas vem de movimentos posteriores. No entanto, o presépio vem puramente da tradição cristã: é a reprodução do cenário onde Jesus Cristo nasceu. Manjedoura, animais, pastores, os três reis magos e Maria e José, que acolhem o bebê numa cabana de madeira, em Belém. O hábito de montar presépios surgiu na Itália como forma de lembrar o momento e caiu no gosto popular de todo o mundo.

Qual a importância da ceia de Natal?

Ceia de Natal em família (Foto: Freepick)

De acordo com o Uol, a Ceia de Natal originou-se do antigo costume europeu de deixar as portas das casas abertas no dia de Natal para receber viajantes e peregrinos, e esses, juntamente com a família hospedeira, confraternizavam aquela data tão significativa para os cristãos.

Fatima ainda explica que a Ceia de Natal de fato existe com o intuito de unir as pessoas para festejar a vinda de Cristo ao mundo e “Amai-vos uns aos outros” é o principal lema da ceia desse feriado.

Por que trocamos presentes no Natal?

Trocar presentes (Foto: Freepick)

Se o Natal é uma comemoração ao nascimento de Jesus, a origem da tradição dos presentes se dá justamente porque os Reis Magos Baltazar, Belchior e Gaspar, guiados pela estrela de Belém, foram atrás daquele que seria o filho de Deus e levaram ouro, mirra e incenso para Jesus. Os presentes foram escolhidos para proteger, atrair saúde, prosperidade e riquezas para o “menino”.

De acordo com Fatima, outra hipótese leva à ação de trocar agrados no Natal: São Nicolau. O bispo, que nasceu onde hoje é a Turquia, no século IV, costumava distribuir presentes aos pobres – mais tarde, ele originou o Papai Noel.

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Com o passar dos anos, a tradição de se presentear foi se difundindo pelo mundo e ganhou novos significados atrelados ao consumismo. Entretanto, presentear ainda é um gesto nobre que causa alegrias. Então porque não fazer o Natal das pessoas mais feliz?

Veja algumas dicas de presentes aqui!

Quando surgiu a figura do Papai Noel?

Papai Noel (Foto: Freepick)

De acordo com o professor de história, o Papai Noel, ou São Nicolau, chegou a ser renegado porque doava os bens da igreja. Uma vez isolado, passou a distribuir presentes entre as crianças e ganhou notoriedade no norte da Europa. “O valor dessa figura percorre o mundo inteiro e acaba repaginado pelos contos de Natal e com o capitalismo passa a ganhar um valor muito diferente”, explica Rodrigo.

A ideia de Papai Noel e sua roupa, toda agasalhada na cor vermelha, vem de origens distintas. Uma é a que remete às tradições germânicas e nórdicas – no entanto, nessa época as roupas podiam ser de qualquer cor. Agora, o vermelho chega anos depois como uma criação publicitária da Coca-Cola e acaba personificando o bom velhinho.

Qual a importância de incentivar a criança a acreditar no Papai Noel?

Criança feliz com Natal (Foto: Freepick)

A importância de incentivar vem ao encontro de estimular a fantasia e os contos de fada, que entram no mundo lúdico, espaço onde a criança estrutura sua identidade e pode ter o primeiro repertório do mundo e sonhar, criando assim, resiliência.

Para a psicóloga Márcia Berman Neumann, falar de Papai Noel é sinônimo de fantasia, imaginação e criatividade. Elementos essenciais para um bom desenvolvimento psíquico infantil. “Os contos de fada e o faz de conta são elementos estruturantes da psique e as fantasias, nos proporcionam espaço criativo para a elaboração de traumas e realizações cotidianas”, explica a especialista.

Com esta compreensão, Márcia lembra: “Os pais devem respeitar as necessidades das crianças de agarrarem-se à fantasias, lembrando de não ir muito além do que as crianças querem saber, não exagerar é sempre uma medida boa. Vale lembrar da história que está por trás desta fantasia e os valores que desejam transmitir a seus filhos”.

Qual o momento certo para explicar que Papai Noel não existe?

Papai Noel (Foto: Freepick)

A fantasia do Natal é socialmente muito dissipada e povoa o inconsciente coletivo de todos nós, independente da religião e país. Portanto, segundo a psicóloga, enquanto houver a necessidade da criança crer na figura do Papai Noel, isso deve ser respeitado e entendido como importante.

“Não existe momento certo, idade certa, cada criança tem seu tempo”, alerta Marcia. Mas, a especialista diz que um processo natural da maturidade é o questionamento e essa é uma boa hora para contar: “Quando a curiosidade chega e é verbalizada”, explica. Antes disso, pode significar uma quebra deste mundo lúdico e interromper uma fase muito importante da criança.

Natal é sinônimo de reunir família

Família em Natal (Foto: Freepick)

A família é a estrutura primária de todo ser humano. É através das relações e vínculos desenvolvidos ali que vamos expandir nossos laços, além de definir a maneira como vemos o mundo interior e exterior. Para a psicóloga, com as crianças não é diferente: “Elas copiam o seu entorno, ou seja, são os exemplos que damos a elas que são formativos de sua personalidade. Quando reunimos a família e evocamos um clima apaziguador, onde o afeto e a celebração possam ocorrer”, explica.

A especialista ainda conclui: “É como se os laços se fortalecessem e as tradições fossem renovadas e ensinadas. Então, é importante reunir a família e aceitar as diferentes pessoas que as compõem”.

Ou seja, o Natal é aquele balanço que a gente faz, sobre o que as escolhas feitas ao longo do ano. O clima natalino tem o poder de fazer as pessoas enxergarem dentro de si e de promover a revisão dos relacionamentos, atitudes e posicionamentos. E tudo isso, proporciona uma onda de espírito natalino que é, na sua essência, o amor em ação. É a prática da bondade e da generosidade. Então, agora que não restam dúvidas, bora comemorar o Natal?

Especialistas: Fatima Gomes, professora doutora em Ciências Sociais e Políticas da Universidade Católica de Petrópolis |Marcia Berman Neumann, psicóloga e colaboradora da Clínica de Pediatria Toporovski |Rodrigo Rainha, professor do curso de História da Estácio.