Introdução alimentar: tudo o que você precisa saber sobre essa nova fase do seu filho

O processo é fundamental para que o bebê aprenda a desenvolver uma alimentação saudável no futuro

Autor

Categorias

Compartilhe

Resumo da Notícia

  • Quando se tem um bebê, tudo é novidade. Não só para o pequeno, mas também para a família;
  • No entanto, cada novo processo é um desafio. Como por exemplo, a  introdução alimentar;
  • O processo é fundamental para que o bebê aprenda a desenvolver uma alimentação saudável no futuro.

Quando se têm um bebê, tudo é novidade. Não só para o pequeno, mas também para a família. No entanto, cada novo processo é um desafio. Como é o caso da introdução alimentar, que se bem feita,  é fundamental para que o bebê aprenda a desenvolver uma alimentação saudável no futuro. Portanto, deixe o medo de lado e encare esse desafio tranquilamente com a nossa ajuda.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a introdução alimentar é importante porque oferece à criança grande oportunidade de aprendizado sobre alimentos e o ato de comer, estimulando o desenvolvimento das habilidades de mastigar, engolir, manusear a comida e usar utensílios como copo e colher, além de definir um comportamento alimentar individual.

Para o pediatra e neonatologista, Jorge Huberman,  é importante ressaltar que neste momento, respeitar o tempo, a aceitação e o apetite da criança, é fundamental. “Cada criança é única, portanto, evite comparações e, na dúvida, busque a ajuda de um profissional que possa auxiliar no processo”, explica. O especialista ainda alerta que é após o sexto mês de vida que se inicia a introdução alimentar dos bebês. Mas, atenção! É importante, sempre que possível, manter o leite materno até dois anos de vida.

Como iniciar a introdução alimentar?

É após o sexto mês de vida que se inicia a introdução alimentar dos bebês(Foto: Derek Owens /Unsplash)

Juliana Frizzo, nutricionista, especialista em gastroenterologia pediátrica e mestre em ciências pela Unifesp, explica que a papa principal de misturas múltiplas deve conter todos os grupos de alimentos, como cereais ou tubérculos (batata, cará, inhame, abóbora, mandioca, arroz branco ou integral, aveia, fubá, massas integrais, quinoa real); leguminosas (feijão, soja, lentilha, grão de bico, ervilhas); carnes ou ovos (bovina, suína, aves, peixes); verduras (almeirão, agrião, espinafre, couve, brócolis, escarola, repolho, rúcula, acelga, chicória) e legumes (cenoura, abobrinha, beterraba, berinjela, jiló, couve-flor, nabo, chuchu, quiabo, vagem, aipo).

De acordo com Juliana, deve-se amassar com garfo, separadamente, e dispor no prato de maneira em que sejam apresentados à criança de forma individual. “Se houver interesse, pode-se optar por manter alguns itens mais moles em pedacinhos para a criança já se habituar com alimentos mais sólidos”, destaca. A utilização de liquidificador ou peneira não é indicada devido à grande perda de fibras no processamento.

Para temperos, pode-se usar cebola, salsinha, alho, cebolinha, tomilho ou salsão. “Depois de pronta, adicione um fio de azeite extra-virgem, e, de vez em quando, pingue gotinhas de limão para aumentar a absorção do ferro e variar o sabor”, orienta.

Huberman ainda indica: “Aqui no Brasil, por ser um país tropical, começamos pelas frutas. Depois acrescentamos os legumes e vegetais coloridos, verduras e proteínas. E por último introduze-se arroz, feijão e macarrão. Outra coisa importante é o uso de panelas de ferro, por auxiliarem na oferta de ferro, prevenindo e combatendo a anemia. Também vale ressaltar que neste momento, respeitar o tempo, a aceitação e o apetite da criança, é fundamental”, explica.

Com relação a quantidade, Juliana recomenda iniciar o processo com porções pequenas de cada alimento, entre uma e duas colheres de sopa, colocando a comida na ponta da colher e ir aumentando conforme aceitação do lactente, sempre acompanhando os sinais de saciedade da criança.

Lembre-se que itens como frituras, enlatados, salsicha, refrigerantes, café, salgadinhos, balas e açúcar devem ser evitados. De acordo com a nutricionista, são fontes de alta densidade energética e baixa qualidade nutricional. “Vale reforçar que as práticas alimentares adquiridas nessa faixa etária interferem diretamente nas práticas alimentares da vida adulta”, alerta.

Método BLW

O BLW, do inglês baby-led weaning, é um método que tem causado certa polêmica entre os pais e especialistas, no qual os alimentos são deixados cortados e ao alcance da criança, para que ela se sirva como quiser. Para Huberman, essa é uma prática interessante, uma vez que as crianças são naturalmente curiosas e gostam de mexer nos alimentos, passando a conhecer sua textura, cor e cheiro melhor. “O ideal é mesclar o BLW com as papinhas amassadas, para que o bebê tenha contato com diferentes consistências. Assim, eles tendem a experimentar mais os alimentos e aprendem a mastigar com a gengiva, facilitando também o direcionamento dos dentes ao nascerem”, explica.

Desafios da introdução alimentar 

Com o tempo, a criança aprende a mastigar e consumir diferentes alimentos (Foto: life is fantastic/ Unsplash)

Sim, introduzir os alimentos ao pequeno pode ser uma tarefa de perseverança e muita insistência. Ao primeiro sinal de papinha, o pequeno colocou na boca e cuspiu? Sim, isso acontece e é um movimento natural. O bebê acaba jogando para fora o alimento no momento em que imita o movimento da sucção utilizado na mamada, que fazia até então.

“Se a criança recusar muitos alimentos, é importante tentar outras combinações com texturas e sabores que possam chamar a atenção delas. É preciso tentar encorajá-las de muitas formas. Outra dica é evitar as distrações na hora das refeições e aproveitar o momento para fazer dele um ato de carinho, de atenção e de conversa olho no olho”, explica Jorge.

O pediatra ainda garante que existe outro jeito de fazer com que a criança aprenda a mastigar e consumir diferentes alimentos. “Adote a ‘regra dos 15’, ou seja, insista até 15 vezes para que o bebê aceite a nova alimentação. Se não der certo, você pula para a próxima tentativa”, instrui. É importante lembrar que oferta deve ser feita em dias alternados e, se possível, mudando a preparação do prato, transformando o alimento em purê, papinha, misturado com outros sabores, para que o pequeno experimente as diferentes texturas de determinado ingrediente. É importante deixar a criança fazer parte da escolha dos alimentos que ela vai consumir.

Huberman ainda explica que é fundamental não ficar  irritado se o bebê não comer. “Dê o tempo dele, no início as refeições são demoradas mesmo. Mas, para facilitar, tente não dar comidas muito quentes ou muito frias”. Outra dica do pediatra é participar da refeição, já que o bebê costuma imita tudo, então é importante fazer um prato ao lado dele,  comer e mostrar a criança como se faz.

O que eu levo da introdução alimentar para a vida do meu filho? 

Ao sentir novos sabores e paladares o pequeno vai decidir quais gosta ou não (Foto: Reprodução/ Pinterest)

“Primeiro, a criança começa a participar da vida da família. Além disso, outras pessoas terão contato com  o bebê – não só a mãe é a fornecedora de alimento. E depois, o pequeno vai sentir novos sabores e paladares  e decidir quais gosta ou não. E Juliana completa: “Você também percebe um novo comportamento e hábitos alimentares que virão tanto pelo exemplo da alimentação da família quanto pela experiência adquirida pelo bebê”, explica.

“É importante reforçar que as práticas alimentares adquiridas nessa faixa etária interferem diretamente no estado nutricional de lactentes favorecendo tanto seu crescimento e desenvolvimento, quanto oferecendo condições de saúde para sua vida adulta. Portanto, a alimentação da família desempenha papel importante e influencia diretamente o hábito alimentar do bebê, até porque a criança tem os pais como modelos, reproduzindo comportamentos executados por eles”, garante a nutricionista.

Como introduzir uma alimentação vegana com o bebê?

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a suplementação com ferro para todas as crianças com até dois anos, independente do consumo de proteína animal. No entanto, a orientação e o acompanhamento criterioso do pediatra ou nutricionista quanto à oferta de energia adequada, necessidade de suplementação de micronutrientes e vitaminas é importante para garantir o crescimento e desenvolvimento adequados destas crianças, assim como no caso dos pequenos onívoros.

Segundo a nutricionista, em caso de pais que optem por oferecer à criança alimentação vegetariana é necessário aumentar as porções de leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico, entre outros) e adequar as porções de cereais para que a mesma recomendação nutricional seja atingida.

“Para micronutrientes como o cálcio, devem ser recomendados as fontes de origem vegetal como espinafre, couve, bertalha, brócolis, alho-poró, tofu e amêndoas. Com relação ao ferro, é recomendável que a ingestão seja cerca de duas vezes maior do que a das crianças onívoras. Além disso, deixar as leguminosas de molho por 12 horas aumenta a biodisponibilidade desse micronutriente, assim como oferecer fruta rica em vitamina C após as refeições”, orienta.

Apesar da orientação quanto à introdução da alimentação complementar ser similar à de lactentes não vegetarianos, Juliana explica que o desmame pode apresentar risco nutricional maior para os vegetarianos sendo que na maioria dos casos é necessário suplementar nutrientes como: cálcio, ferro, zinco, vitaminas A, D, B1, B2, B6, B12, DHA e proteínas.

Receitas 

Se você não sabe por onde começar, a nutricionista Juliana Frizzo pensou em duas receitas especiais de papinha para você iniciar essa introdução alimentar com muito sabor. São duas receitas, uma doce e outra salgada. Vamos botar a mão na massa?

-Publicidade-

Papa de abóbora, grão de bico, espinafre e peixe

Introdução alimentar com papinha de abobora (Foto: Karalina S / Unsplash)

Ingredientes:

1 col. (sopa) de azeite

1 dente de alho amassado

1/4 cebola roxa pequena ralada

1 col. (sopa) de ervas finas (alecrim, tomilho, sálvia, manjericão)

80g de peixe (tilápia)

1 xíc. (chá) de abóbora em cubos

1 xíc. (chá) de chuchu em cubos

1 xíc. (chá) de grão-de-bico cozido

1 xíc. (chá) de espinafre

Modo de preparo

Deixe o grão-de-bico de molho por no mínimo 12 horas e depois cozinhe. Cozinhe os legumes à vapor. Em uma panela, refogue o alho, a cebola, o peixe e o espinafre. Disponha no prato de maneira em que sejam apresentados à criança de forma individual.

Papa de banana com morango

Introdução alimentar com papinha de morango e banana (Foto: Sviatoslav Huzii/ Unsplash)

Ingredientes:

1 copo de iogurte de inhame

2 inhames médios

1 caixa de morangos maduros orgânicos

1 banana madura

Modo de preparo

Cozinhe os inhames até que fiquem bem macios. Transfira para o liquidificador e bata por 3 minutos ou até ficar bem triturado, virando um creme. Acrescente os morangos e a banana no liquidificador. Bata até homogeneizar. Coloque em um recipiente com tampa e leve para a geladeira por 4 horas.

Especialistas: Jorge Huberman é pediatra e neonatologista e atende aos seus pacientes em seu consultório no Instituto Saúde Plena, em Moema, SP / Juliana Frizzo é nutricionista, Mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e especialista em Gastroenterologia Pediátrica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).