Gravidez aos 20, 30, 40 e 50 anos – riscos e vantagens em cada fase

Não existe um momento certo – cada mulher tem a sua hora!

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Em nome de esperar um momento de melhor estabilidade, cada vez empurramos mais para frente a decisão de ter um filho. Nos anos 1960 era consenso que a idade ideal para a primeira gravidez ficava entre 18 e 25 anos. Após os 25, a gestante era classificada como “primigesta idosa”! A idade fértil da mulher situa-se entre 10 e 49 anos; no entanto, as técnicas de reprodução assistida derrubaram esses limites. Em tese, pode-se engravidar a qualquer momento, mas a coisa não é tão tranquila assim.

Um estudo realizado na Suécia em 2016 mostrou que filhos de mulheres mais velhas tendem a ser mais saudáveis, mais altos e ter, no futuro, mais anos de educação formal. Isso porque, sem contar os avanços científicos, as políticas públicas tendem a melhorar com o passar dos anos. Mesmo assim, é bom saber que os riscos aumentam a cada ano a partir dos 35 anos. E a partir dos 40 a gravidez já é considerada de alto risco. Por isso, essas gestantes necessitam de mais cuidados e devem aumentar o número de visitas ao médico durante o pré-natal. Conversamos com especialistas e contamos as vantagens e desvantagens para cada idade.

 

20 anos

Fisicamente – Do ponto de vista biológico, o organismo da mulher já está pronto para ter um filho depois da primeira menstruação. Como isso costuma ocorrer muito cedo, por volta dos 12 anos, os médicos acreditam que só depois dos 18 anos que o corpo e os órgãos sexuais estão preparados mesmo para gestar um bebê. Entre os 20 e 30 anos a mulher possui o máximo de sua fertilidade. Nesta fase, o corpo feminino tende a ovular mais e os óvulos ainda são de melhor qualidade.

Psicologicamente – Por volta dos 20 anos, as pessoas começam a definir os objetivos de vida. “Se a mulher tem como meta ser mãe e se prepara para isso, mesmo sendo jovem ela pode estar madura para ter um bebê e vivenciar uma experiência maravilhosa”, explica a psicóloga Aline de Sousa Ribeiro. A especialista também lembra que é comum que uma mãe jovem sinta que está perdendo momentos que ocorrem mais na juventude; em contrapartida, ela tem energia para aproveitar muito o tempo com seu filho.

Financeiramente – Este ponto varia mais em função dos hábitos de uma pessoa do que da faixa etária, de acordo com Luciano Tavares, especialista em finanças pessoais. Entretanto, ele reforça que quem deseja ter filhos aos 20 anos precisa levar em conta que os gastos com crianças são bem maiores que aqueles do dia a dia. “É importante ter uma reserva para emergências. Mulheres e homens não costumam ter esse estoque de dinheiro nessa fase da vida, pois estão no início de suas carreiras”, completa.

 

30 anos

Fisicamente – O organismo pode se adaptar facilmente às modificações circulatórias, cardíacas, renais e metabólicas que ocorrem na gravidez. Em caso de tratamento, também há mais chances de sucesso: 50% por ciclo de fertilização em vitro, segundo Eduardo Motta, ginecologista responsável pelo Centro de Reprodução Humana Santa Joana. Mas tudo depende de em que momento da década de 30 você está. A partir do limite de 35, o cenário fica mais complicado. Aumenta o risco de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, abortos, partos prematuros e síndromes genéticas, como a síndrome de Down. Por isso, além dos exames de rotina do pré-natal, pode ocorrer o aconselhamento genético.

Psicologicamente – Nessa fase você já adquiriu mais autoconhecimento e ganhou mais maturidade, o que ajuda a administrar a chegada da maternidade. Por outro lado, as exigências de expansão profissional podem ser conflitantes com os cuidados que um filho exige. “Esse dilema pode gerar um sofrimento enorme, como se a vida inteira você tivesse lutado para ter uma carreira e agora tivesse que escolher entre uma coisa ou outra”, diz Aline.

Financeiramente – As despesas ainda são grandes, pois casa e carro podem ainda não estar quitados. Como lembra o economista Marcos Silvestre, o padrão de consumo ainda é comedido. Segundo os cálculos do especialista, só os gastos com quarto e enxoval podem variar de 8 a 100 mil reais, dependendo do padrão de vida da nova família. Se quiser mante-lo, pode ser que tenha de trabalhar ainda mais – ou abrir mão de algum conforto.

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40 anos

Fisicamente – Embora hoje seja possível driblar o relógio biológico por meio de técnicas de reprodução assistida, ele existe e começa a dar sinais de desgaste. Enquanto a chance de engravidar naturalmente aos 30 é de 25% a cada ciclo menstrual, aos 40 ela vai para 7%. Ao mesmo tempo, o risco de ter uma criança com alteração cromossômica, que aos 30 é de 1/900, aos 40 anos sobe para 1/75.  O risco de aborto também aumenta. Segundo o dr. Eduardo Motta, recomenda-se também a mamografia, além da rotina pré-natal e exames genéticos.

Psicologicamente – Você provavelmente já plantou, colheu e aproveitou dos frutos conquistados com a carreira. Segundo a coach Deborah Toschi, nesta fase a mulher sente a necessidade de rever a trilha que percorreu. Muitas, por exemplo, inciam a preparação para o seu “plano B”, que pode incluir trocar o dia a dia no escritório por um trabalho home office. “A mulher moderna tem preferido essa idade, pois diminui muito a sensação de ter que escolher entre família e carreira”, diz a psicóloga Aline. Por outro lado, o fato de ser mais difícil engravidar gera uma ansiedade maior.

Financeiramente – A carreira costuma estar consolidada e talvez a casa própria esteja quitada ou perto de se-lo. Se você já realizou seus principais sonhos de lazer e viagens, será mais fácil a adaptação. Mas se você se acostumou com a vida de namoro, abrir espaço para um filho no orçamento será mais desafiador, explica o economista Marcos. Por outro lado, você pode se ver dividida entre preparar a própria aposentadoria e poupar para garantir o futuro da criança.

 

50 anos

Fisicamente – As chances de gravidez natural aos 50 anos existem, mas são bastante baixas, em torno de 3%; mesmo recorrendo a técnicas como a fertilização in vitro, essa possibilidade cai de 25% aos 40 anos para apenas 5% aos 50. Felizmente hoje existem técnicas, como a do congelamento dos óvulos, que deve ser feito pela mulher quando mais jovem. Outra possibilidade é recorrer à adoção. Segundo Eduardo Motta, à medida que o tempo avança, todas as situações de risco para a gravidez são mais prevalentes. O Conselho Federal de Medicina estipulou que os médicos avaliem caso a caso os riscos de um tratamento nesta fase e informem a futura mãe dos riscos envolvidos, que incluem hipertensão, diabetes, parto prematuro e baixo peso do recém-nascido.

Psicologicamente – O nível de maturidade e vivência é ainda maior. O seu “ajuste de rota” geralmente nesta fase já contempla administração do seu “plano B”. Tudo isso faz com que a mulher tenha ainda mais espaço para dedicar suas energias e aprendizados para a maternidade. Por outro lado, lembra a psicóloga Aline, que mulher já não fica abalada só ao ouvir que a gravidez é de alto risco? “Readaptar a sua vida com a rotina de uma criança é algo assustador neste primeiro momento”, comenta. A mulher que planejou a gravidez aos 50 terá que lidar com essa expectativa enorme, já que luta com questões fisiológicas.

Financeiramente – A carreira pode estar no auge ou ameaçada pelo desemprego (ou troca com rebaixamento de renda) devido à “obsolescência” da profissional, imposta pelo mercado de trabalho, o que varia muito conforme a profissão. “A gravidez de maior risco biológico pode exigir cuidados e gastos mais intensivos”, analisa Marcos Silvestre. Se você já se aposentou, por exemplo, mas mantém alguma atividade remunerada, a aposentadoria entra como complemento e você pode estar mais tranquila. “Para a aposentadoria ou para garantir a educação do filho que nasceu agora, o dinheiro deve ficar em aplicações de longo prazo”, recomenta Luciano Tavares.