Empatia e gentileza: você sabe como ensinar esses sentimentos para o seu filho?

Pensando em tudo que aconteceu durante o ano de 2020 com a pandemia do coronavírus é importante ressaltar que o mundo aprendeu a importância de bons gestos

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Resumo da Notícia

  • Ano novo é sempre época de renovação e esperança. Existem muitas tradições para este momento e uma delas é criar listas de expectativas, desejos ou de “promessas”;
  • Pensando em tudo que aconteceu durante o ano de 2020 com a pandemia do coronavírus é importante ressaltar que o mundo aprendeu a importância da empatia e da gentileza;
  • Mas você sabe como ensinar isso para os seus filhos?

Ano novo é sempre época de renovação e esperança. Existem muitas tradições para este momento e uma delas é criar listas de expectativas, desejos ou de “promessas”. Pensando em tudo que aconteceu durante o ano de 2020 com a pandemia do coronavírus é importante ressaltar que o mundo aprendeu a importância da empatia e da gentileza. Mas você sabe como ensinar isso para os seus filhos?

Sim, de acordo com os especialistas entrevistados pelo Bebê em Foco a criança começa a  compreender a relação com o outro mesmo que não saiba expressar – entre os dois e quatro anos. E por volta dos sete anos, o pequeno já está mais desenvolvido e é capaz de exercer suas opiniões.

Então, na virada do ano é possível  propor uma reflexão sobre como podemos ser melhores para nós e para os outros e até estabelecer metas para encontrar formas de ajudar o próximo. No entanto, os gestos de empatia e gentileza são muito mais do que se aprende na teoria, é preciso prática! Afinal, as crianças aprendem com exemplos.

Ensinando com exemplos

Ensinar empatia e gentileza (Foto: Freepick)

Para Priscila de Moraes, Coordenadora Pedagógica da Escola do Futuro, a criança está construindo a percepção do mundo e das relações, pelo que é possível observar nos adultos que a cerca. “Os responsáveis pelas crianças, deveriam ter sempre isso em mente. Como cumprimentamos, como fazemos observações das pessoas e de situações, como agradecemos, como somos sinceros, como ajudamos o próximo e como cuidamos de nós mesmos, são comportamentos constantemente observados e reproduzidos pelas crianças, sejam eles de cuidado e respeito para com o outro ou não”.

Priscila também explica: “O modo como são tratadas irá resultar em como elas refletirão tal comportamento no mundo! Gentileza gera gentileza”. Para as especialistas, ouvir é um ato de respeito, demonstra que está disponível para compreender o que o outro pensa e sente. Reconhecer as qualidades também é um modo de ser gentil.

A Psicóloga e colaboradora da Clínica de Pediatria Toporovski, Marcia Berman Neumann explica que ser um bom modelo para a criança implica em poder transmitir os valores que são importantes para a sua família. “Ao falar isso, incluo ouvir e saber reconhecer quando se descontrola ou erra, por exemplo. São estas atitudes que demonstram que o mais importante não é a perfeição, o acerto, e sim, reconhecer, aprender com os erros e comemorar os acertos”.

“Conversar com os pequenos, sobre os próprios erros ou momentos que foram difíceis de administrar também ajuda a mostrar que temos uma diversidade de emoções e que errar nos permite aprender e fazer diferente”, complementa Priscila.

Mas afinal, o que é empatia e gentileza? 

Ensinar empatia e gentileza (Foto: Freepick)

Empatia acontece quando nos colocamos no lugar do outro. No entanto, é possível desenvolver esse sentimento mas não fazer nada para mudar a realidade do outro. E é aí que entra a gentileza – quando de fato fazemos algo. Não se pratica a gentileza para mudar uma situação na vida do outro, mas sim para tornar aquela situação vivida em algo um pouco melhor.

Essas atitudes geram um bem tanto para saúde de quem pratica quanto para uma sociedade mais saudável.

Colocando a empatia e a gentileza em prática

Ensinar empatia e gentileza (Foto: Freepick)

Às vezes, os sentimentos são subestimados simplesmente por serem considerados naturais ou desnecessários. Mas é importante saber que ninguém nasce sabendo ou praticando a empatia, por exemplo. São habilidades que precisam ser ensinadas aos pequenos, assim como se ensina uma língua.

De acordo com as especialistas, para fortalecer o desenvolvimento da empatia e gentileza, ações simples devem ser garantidas. Palavras como “por favor”, “obrigada”, “desculpe”, devem ser usadas e cobradas sempre. Além disso, mostrar para a criança como ajudar em diferentes situações, demonstrar o tom de voz adequado ao se falar sobre sentimentos e frustrações, falar sobre desigualdade, injustiças e diversidade são passos importantes.

No geral, ressalte sempre a importância de respeitar do mesmo modo que gostamos de ser respeitados em nossa singularidade e pluralidade. Para a psicopedagoga Fernanda Mendes Arantes,  exemplificar esses gestos durante ações práticas no cotidiano são formas de ensinar também.

“Segurar o portão do prédio para outro morador entrar, cumprimentar os  vizinhos, oferecer ajuda em tempos de pandemia, deixar bilhetes carinhosos para amigos, enfim, existem diversos pequenos gestos que podem ser realizados no dia a dia das crianças e que demonstram muito sobre as  pessoas”, avalia Fernanda.

Segundo a psicopedagoga, o diálogo na relação familiar também é fundamental: “É preciso que os pais sempre exemplifiquem para seus filhos: – se você estivesse no lugar de fulano, como se sentiria? Qual seria sua reação diante de tal situação? Como pensa que esta pessoa está se sentindo agora?”. Assim se desenvolve  a “alfabetização emocional” – que é aprender a identificar e fazer questionamentos necessários para desenvolver sentimentos como empatia e gentileza.

Como os livros e a tecnologia ajudam no desenvolvimento de empatia e gentileza?

Ensinar empatia e gentileza (Foto: Freepick)

É fato, toda informação que a criança receber possivelmente a afetará de algum modo. Com a internet, a TV e jogos isso não é diferente. Tudo aquilo que se assiste pode afetar em como ela irá desenvolver empatia, então é necessária atenção. Assim como essas tecnologias são capazes de modular opiniões e comportamentos de adultos, com as crianças esses fenômenos se amplificam.

Por outro lado, tudo o que povoa o imaginário das crianças desenvolve o lado lúdico, criativo, além de funções estruturantes para um bom desenvolvimento infantil. Dessa forma, use o conteúdo das tecnologias e livros a seu favor. Consuma o mesmo material que os pequenos, modere as informações e depois desenvolva debates para que as crianças possam avaliar como a empatia e a gentileza são trabalhadas nesses conteúdos.

Humanizar as relações é essencial no processo. Na era dos smartphones, é aconselhável que as crianças sejam induzidas a ter mais conversas olho no olho. Apesar de 2021 estar batendo na porta e esse ser um bom momento para começar, este processo de aprendizagem não necessita de um novo ano para acontecer.

A empatia pode ser praticada diariamente com as crianças. E quando os pequenos aprendem isso, nós podemos prever uma sociedade baseada no amor e respeito.

Ensinar empatia e gentileza (Foto: Freepick)

Especialistas: Fernanda Mendes Arantes, psicopedagoga e coordenadora do curso de Pedagogia da Estácio Interlagos |Marcia Berman Neumann, psicóloga e colaboradora da Clínica de Pediatria Toporovski | Priscila de Moraes, Coordenadora Pedagógica da Escola do Futuro.