Dificuldade para amamentar: a culpa não é sua! Saiba como melhorar o aleitamento materno

Apesar de ser muito chato, saiba que isso pode acontecer a culpa não é sua, muito menos do bebê. Veja os relatos de famosas como Fernanda Gentil e Taís Araújo e se livre desse peso!

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Resumo da Notícia

  • A amamentação é um momento muito especial entre mãe e filho;
  • Há quem pense que este é um processo natural e sem maiores problemas;
  • No entanto, é comum que algumas mulheres não consigam amamentar e apesar de ser muito chato, saiba que isso acontece e a culpa não é da mulher, muito menos do bebê.

A amamentação é um momento muito especial entre mãe e filho. Além disso, são inúmeros benefícios à saúde e é uma forma da mãe desenvolver um vínculo ainda maior com a criança. Há quem pense que este é um processo natural e sem maiores problemas. No entanto, é comum que algumas mulheres não consigam amamentar e apesar de ser muito chato, saiba que isso pode acontecer e a culpa não é sua, muito menos do bebê.

Não consigo amamentar e agora? (Foto: Freepick)

A apresentadora e jornalista Fernanda Gentil e a atriz Taís Araújo são mães, e ambas sofreram com a dificuldade da amamentação. Em um relato no Instagram, na época em que ainda amamentava, Gentil escreveu: “Eu achei que amamentar fosse tão automático quanto ser mãe – se quando nasce um filho, nasce uma mãe, então essa mãe vai amamentar. Não necessariamente. Talvez não se tiver mamilos invertidos, prótese, redução de mama, se sentir muita dor, o leite não descer ou secar – e o meu secou”.

Ela contou que passou por um momento muito difícil e de culpa, mas que felizmente foi superado. “Para uma mãe que sempre sonhou em viver o momento mágico-de-filme do filho mamando no peito, do olho no olho, da mãozinha segurando o nosso dedo, a notícia da mamadeira cai como uma bomba. Chorei, me julguei e repassei a gravidez inteira na minha cabeça tentando descobrir onde errei; se foi o chocolate que comi, a noite que não dormi ou aquela longa escada que subi”.

Assim como muitas mães que também passam por esse problema, Fernanda precisou recorrer à mamadeira e conseguiu ver que ela também tem benefícios. “O meu sofrimento durou até eu dar a primeira mamadeira. Foi quando descobri que eles também olham no nosso olho e a mãozinha também segura o nosso dedo quando mamam na “dedêra”. Descobri também que esse é um assunto polêmico e não estou aqui para polemizar. Até porque o melhor cenário é o leite materno! Claro! Mas o pior é não ter leite nem do peito da mãe, nem de outro peito, nem da lata”.

Taís Araújo também desabafou sobre a dificuldade em aceitar que não iria conseguir amamentar a filha mais nova, Maria, em entrevista ao programa Lady Night, apresentado por Tatá Werneck. “A Maria Antônia eu não consegui amamentar. Eu tive uma infecção renal e precisei tomar antibiótico no final da gravidez, por isso, não iria poder dar de mamar”, começou.

Taís Araújo e família (Foto: Freepick)

“O problema é que descobri isso na hora que fui parir. [Depois] quando eu fui tentar dar o peito, ela não aceitava. Aí era Maria Antônia chorando de um lado e eu chorando de outro”, disse emocionada. “Foi desesperador até que minha irmã chegou para mim e disse: ‘Cara, deixa de bobeira! Não é isso que vai criar sua relação com seu filho com a sua filha. Amamentar é muito legal e você conseguiu com seu primeiro filho: lindo! Se não conseguiu com a Maria, você vai criar vínculos com ela de outra maneira’”, relembrou as falas da irmã já limpando o choro. “Ela estava super certa!”, afirmou a atriz.

Então, não, a culpa não é sua! 

Ser mãe de primeira viagem pode significar ter dificuldades para colocar o bebê para mamar por falta de prática e jeito para segurar uma criança tão pequena. Alguns bebês também apresentam uma dificuldade inicial para pegar, mas tudo isso, em geral, se resolve com a ajuda de pessoas experientes. Entretanto, a ocorrência de lesões mamilares dificulta bastante a amamentação e por esta razão deve-se ter bastante cuidado e atenção com a pega correta.

 (Foto: Freepick)

No entanto, existem outros problemas como: leite empedrado, mastite,  mamilos rachados ou até doenças infecciosas que podem impedir o aleitamento materno. Mas para todos esses problemas existem tratamentos – alguns são temporários, outros podem ser solucionados.

De acordo com  Jorge Huberman, pediatra e neonatologista, é natural depois de vária tentativas infrutíferas a mãe não conseguir amamentar, e Lucilia Faria, coordenadora médica da UTI Pediátrica do Hospital Sírio-Libanês complementa: “Quando a mãe não consegue amamentar é necessário suplementar ou substituir por leite de vaca modificado, o chamado leite maternizado. As mães não devem se sentir culpadas por isso”.

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Fique calma! Vai dar tudo certo! 

é comum amamentar sem usar o leite materno (Foto: Freepick)

É muito importante saber que está provado que o nervosismo da mãe ou o medo de não conseguir amamentar pode fazer com que a mulher produza menos leite ou mesmo que o reflexo de descida do leite seja inibido. Os hormônios do estresse são capazes de inibir a ação da prolactina que é a produção do leite e da ocitocina que é a descida do leite.

“A ocitocina é o hormônio da tranquilidade, do relaxamento. Quando a mãe está tensa, a gente tem liberação de adrenalina. Essa adrenalina bloqueia a ocitocina, ou seja, bloqueia a saída do leite”, explica a pediatra Patrícia Rezende.

Geralmente se diz que amamentação é natural, mas na verdade é algo que se aprende, tanto a mãe quanto o bebê. Para diminuir o nervosismo, o importante é manter essa ideia de que isso é novo para os dois. Muitas vezes, manter o otimismo faz com que as coisas engrenem com maior tranquilidade.

Eu não consigo amamentar, e agora?

Ocasionalmente, algumas mães podem achar o ato de amamentar muito desconfortável e senti-lo como se fosse um grande peso ao invés de sentir prazer em fazê-lo. O começo realmente pode ser difícil, mas na maioria dos casos o desconforto passa com o tempo,  principalmente se a mãe buscar uma orientação adequada.

Contudo, se a amamentação não se tornar mais tranquila para a mulher ao término do segundo mês, mesmo com as orientações do pediatra do bebê , e entre os prós e contras, a mãe achar que os aspectos negativos dessa experiência ainda superam os positivos, talvez seja melhor conversar com o especialista e avaliar a possiblidade de utilizar uma fórmula.  “Claro que isso pode gerar frustração, e devemos acolher e entender esse sentimento. Porém, é importante mostrar pra essa mãe que a história dela e desse filho não acaba por aí e ela não deixa de ser uma boa mãe por isso”, orienta Patrícia.

Às vezes, o bebê tem a pega correta, posição certa e freio de língua normal, e ainda assim, a amamentação não flui bem. “Medicina não é matemática, não temos todas as respostas – mesmo que a gente tente de tudo, a amamentação pode não dar certo. É importante entender que a amamentação é um dos fatores da maternidade, mas não é o único”, explica Patrícia.

Vai dar tudo certo! (Foto: Freepick)

Se você é mãe, e esse é o seu caso, não se sinta culpada se isso acontecer. “O importante é você encontrar um meio de tornar o ato de alimentá-lo uma experiência positiva para ambos, mãe e filho. O amor e carinho da mãe certamente serão sentidos pelo bebê, não importando se a amamentação é feita através do peito ou com uma mamadeira”, conclui Huberman.

Você tem dúvidas sobre a amamentação? Saiba tudo aqui!

Especialistas: Jorge Huberman é pediatra e neonatologista e atende aos seus pacientes em seu consultório no Instituto Saúde Plena, em Moema, SP | Lucilia Santana Faria, coordenadora médica da UTI Pediátrica do Hospital Sírio-Libanês |  Patrícia Rezende é pediatra do Grupo Prontobaby.