“Desafio da rasteira” neurocirurgião alerta sobre os perigos de brincadeira viral

“Uma brincadeira de mal gosto, que pode ser fatal”, afirma o Dr. Fernando Gomes

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Resumo da Notícia

  • Vídeos em que dois adolescentes derrubam uma terceira pessoa, que cai de cabeça no chão, começaram a circular nas redes sociais e aplicativos de mensagens
  • Imagens gravadas em uma escola na Venezuela deixaram os pais em alerta
  • De acordo com especialista, “brincadeira” pode provocar traumatismo craniano e contusões cerebrais

Uma série de vídeos tomou conta dos grupos de WhatsApp desde o início da semana: neles, aparece o chamado “desafio da rasteira”, em que duas pessoas – na maioria dos casos, adolescentes – derrubam uma terceira pessoa no chão. Na maioria dos casos, ela cai de cabeça e sem nenhum tipo de amortecimento. A brincadeira se tornou viral e tem preocupado os pais, ainda mais em época de volta às aulas.

O primeiro vídeo a viralizar foi gravado neste mês em um colégio de Caracas, na Venezuela. Nas imagens, o menino que está no meio cai e bate violentamente com a cabeça no chão. O caso aconteceu no Colégio Santo Tomás Aquino, confirmou que o incidente aconteceu em sua instituição e disse que os estudantes envolvidos e seus representantes foram chamados. Lá, a “brincadeira” é chamada de “quebra-crânios”.

“Esse desafio na verdade é uma brincadeira boba, de mal gosto e que pode ser fatal”, afirma Dr. Fernando Gomes, neurocirurgião e neurocientista, em entrevista ao Bebê em Foco. De acordo com o especialista, a pessoa que cai no chão pode sofrer contusões graves, como traumatismo craniano e contusões cerebrais, dependendo da força do impacto da cabeça no chão.

“Desafio da rasteira”: brincadeira perigosa viraliza nas redes sociais e preocupa pais (Foto: Reprodução)

Por isso, é importante alertar as crianças e adolescentes sobre os perigos da brincadeira, em todos os sentidos. “É claro que a criança que está no meio é a mais vulnerável, mas temos que orientar nossos filhos para que eles também não sejam as crianças da ponta, que derrubam um colega. Os riscos são grandes demais”, completa Dr. Fernando.

Na tarde desta quarta-feira (12), a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia emitiu um comunicado oficial sobre o tema. “A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) vem, por meio deste, alertar aos pais e educadores sobre a necessidade de reforçar a atenção com crianças e adolescentes, diante do desafio “quebra-crânio”, que se alastra pelo ambiente doméstico, escolar e é reproduzido nas redes sociais. Ele provoca uma queda brutal, onde um dos participantes bate a cabeça diretamente no chão, antes que possa estender os braços para se defender. Esta queda pode provocar lesões irreversíveis ao crânio e encéfalo (Traumatismo Cranioencefálico – TCE), além de danos à coluna vertebral. Como resultado, a vítima pode ter seu desempenho cognitivo afetado, fraturar diversas vértebras, ter prejuízo aos movimentos do corpo e, em casos mais graves, ir a óbito”, informaram. E concluíram: “O que parece ser uma brincadeira inofensiva, é gravíssimo e pode terminar em óbito. Os responsáveis pela ‘brincadeira’ de mau gosto podem responder penalmente por lesão corporal grave e até mesmo homicídio culposo. Deste modo, como sociedade, pais, filhos e amigos, devemos agir para interromper o movimento e prevenir a ocorrência de novas vítimas. Acompanhar e informar/educar sobre a gravidade dos fatos, pode ser a primeira linha de ação.”

 

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Cuidado com as fake news!

Com a divulgação do “desafio da rasteira”, um caso antigo voltou à tona e também viralizou nas redes sociais. Emanuela Medeiros, de 16 anos, bateu a cabeça no chão na Escola Municipal Antônio Fagundes, em Mossoró, no Rio Grande do Norte (RN). Ela sofreu traumatismo craniano, foi socorrida pela direção do colégio e levada ao Hospital Regional Tarcísio, mas morreu.

O caso aconteceu em novembro de 2019, mas começou a circular novamente nas redes sociais, como se a morte de Emanuela tivesse ocorrido agora por conta da nova brincadeira. Não é verdade. De acordo com a prima da vítima, em entrevista concedida na época do acidente, a estudante participava de uma brincadeira com outras duas pessoas que a seguraram e tentaram girá-la, como uma espécie de cambalhota. Durante o giro, ela caiu e bateu a cabeça no chão.

José Altemar da Silva, diretor da escola, contou que não tinha conhecimento a respeito da brincadeira e lamentou a situação. “Infelizmente foi uma fatalidade que não tivemos como evitar”, disse ele, em entrevista ao portal GazetaWeb. Ele também recomendou que os pais fiquem atentos ao que circula nas redes sociais.