Coronavírus: preocupação em excesso pode ajudar a disseminar a doença, diz especialista

Neurocirurgião fala sobre a importância de manter a saúde mental e orientar as crianças em tempos de excesso de informação

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Resumo da Notícia

  • O excesso de informações e as atualizações minuto a minuto sobre o novo coronavírus podem nos deixar mais ansiosos
  • A preocupação excessiva pode prejudicar a imunidade, podendo, inclusive, facilitar a transmissão da doença
  • Especialista dá dicas sobre como falar sobre o coronavírus com as crianças

Você pode até tentar evitar, mas com o acesso à informação que temos hoje, é quase impossível não saber nada sobre o novo coronavírus (Covid-19). Pelo contrário: o excesso de informações compartilhadas quase minuto a minuto sobre a doença faz com que não apenas a saúde respiratória das pessoas esteja em risco, mas sim a saúde mental.

Para o dr. Fernando Gomes, neurocirurgião livre docente do Hospital das Clínicas de SP, a ansiedade e o pânico gerados pelo excesso de informação – muitas vezes, falsa – a ansiedade e o pânico podem ajudar a disseminar ainda mais o coronavírus. “Atenção sempre, ansiedade nunca! Para combater naturalmente o coronavírus é preciso que o sistema imunológico esteja saudável. A preocupação excessiva interfere no funcionamento do hipotálamo e isso pode reduzir o poder da nossa imunidade”, alerta o especialista. E completa: “Está todo mundo querendo pegar carona no Corona. Assim não vai dar certo.”

Coronavírus: ansiedade provocada por excesso de informações pode prejudicar o sistema imunológico (Foto: Unsplash)

O especialista também faz um alerta em relação a como falar sobre o coronavírus com crianças. “É preciso falar, sim. Orientar sobre medidas básicas de higiene, como não fazer bullying ou discriminar caso um colega ou parente de um colega tenha o coronavírus.. E é importante lembrar que o discurso deve ser o mesmo com as crianças e perto delas. Não é uma chave que liga e desliga; elas são uma esponja e, se falarmos sobre a doença com nervosismo, elas também ficarão nervosas”, explica Fernando Gomes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na última terça-feira (10) um relatório com recomendações para evitar o estresse que o avanço da doença pelo mundo está provocando. Fique atento:

Foque nos fatos: evite assistir, ler ou ouvir notícias que possam causar ansiedade ou estresse e procure informações principalmente sobre medidas práticas para se prevenir. Procure se atualizar em horários definidos, uma ou duas vezes por dia – o excesso de informações minuto a minuto pode aumentar a preocupação.

Compartilhe experiências positivas: sempre que possível, encontre oportunidades para dar voz a histórias positivas e imagens positivas de pessoas que tenham sido afetadas pelo novo coronavírus e se recuperado, ou que tenham apoiado um ente querido durante a recuperação e queiram compartilhar suas histórias. Espalhe boas notícias!

Dê os nomes certos: não se refira às pessoas diagnosticadas com o novo coronavírus como “vítimas” ou “doentes”. Elas são pessoas em tratamento, como qualquer outra doença. Quando se recuperarem, vão voltar às suas atividades normais.

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Coronavírus: saiba como se prevenir e proteger sua família

Os coronavírus são uma família de vírus conhecida há mais de 50 anos. Tem este nome porque parece uma coroa, se visto no microscópio. Algumas cepas infectam seres humanos, outras infectam somente animais. O novo vírus (2019-nCoV) provavelmente é uma mutação que não atingia humanos e, nos últimos meses, passou de um animal para uma pessoa em um mercado de frutos do mar e animais vivos na cidade de Wuhan, na China.

Para se prevenir, a recomendação do Ministério da Saúde é a mesma feita para a prevenção de infecções respiratórias agudas. São elas:

  • evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;
  • lavar as mãos com frequência, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;
  • utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
  • evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
  • higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • manter os ambientes bem ventilados;
  • evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;
  • evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.