Câncer pediátrico: sintomas comuns a outras doenças podem atrasar diagnóstico, alertam especialistas

Outra grande preocupação do Instituto Nacional do Câncer é a quantidade de instituições preparadas para o tratamento de crianças e adolescentes no Brasil

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Resumo da Notícia

  • O Instituto Nacional de Câncer (Inca) fez um alerta aos pais sobre o diagnóstico de câncer em crianças e adolescentes
  • Como os sintomas da doença podem ser semelhantes aos de outros males, o diagnóstico precoce é fundamental
  • Uma das preocupações do Inca é a falta de instituições aptas para o tratamento do câncer pediátrico no Brasil

No Dia Internacional do Câncer na Infância, lembrado neste sábado (15), o alerta do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é para os sinais e sintomas persistentes em crianças e adolescentes, mesmo aqueles que indicam para doenças comuns. Isso faz com que o diagnóstico seja um desafio, até mesmo para os especialistas.

Alguns sintomas são palidez, manchas roxas, dor na perna, caroços e inchaços indolores, perda de peso inexplicável, inchaço da barriga, alterações nos olhos, dor de cabeça, fadiga, tontura e sonolência. “Não significa que qualquer sinal e sintoma é câncer, mas toda criança precisa ser acompanhada pelo pediatra regularmente, toda queixa da criança precisa ser valorizada tanto pelos pais quanto pelos profissionais de saúde”, explica Sima Ferman, chefe da Seção de Oncologia Pediátrica do Inca, em entrevista à Agência Brasil.

Sintomas de câncer em crianças e adolescentes podem ser confundidos com os de doenças comuns (Foto: Unsplash)

Por isso o diagnóstico precoce é tão importante, pois não é possível prevenir o câncer infanto-juvenil. A especialista explicou à Agência Brasil que, na maioria das vezes, a doença em crianças e adolescentes tem causa desconhecida. “No adulto, por exemplo, a pessoa que fuma pode desenvolver câncer de pulmão, então são fatores ambientais e de estilo de vida que muitas vezes são associados ao aparecimento do câncer. Na criança, são fatores intrínsecos do seu próprio corpo. O que nós temos, então, que fazer, para conseguir a maior chance de cura, é um diagnóstico precoce”, disse Sima.

O Dia Internacional do Câncer na Infância, criado em 2002 pela Childhood Cancer International, simboliza uma campanha global para conscientizar sobre o câncer infantil e expressar apoio às crianças e adolescentes e suas famílias. O foco, em 2020, é a redução de fronteiras e o aumento do acesso aos cuidados e à cura.

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De acordo com Sima, além da identificação precoce da doença, a grande preocupação é para onde encaminhar os pacientes, já que a maior parte dos centros especializados em oncologia pediátrica estão no Sudeste do Brasil. Existem, atualmente, 317 unidades e centros de assistência habilitados no tratamento do câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas nem todos com atendimento especializado para crianças e adolescentes.

Os tipos mais comuns de câncer infantil são leucemias (câncer dos tecidos produtores de sangue) e tumores no sistema nervoso e linfomas (câncer do sistema linfático). E o tratamento para as crianças precisa ser diferenciado. Segundo a médica do Inca, há um esforço tanto do governo quanto de organizações não governamentais de ampliar a rede de centros especializados pelo país para que o paciente não precise migrar para fazer o tratamento, que pode levar de seis meses a dois anos.