Amamentação: tudo o que você precisa saber para cuidar da sua saúde e do bebê

Além de trazer inúmeros benefícios à saúde do bebê, é uma forma da mãe desenvolver um vínculo ainda maior com a criança

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Resumo da Notícia

  • A amamentação é um momento muito especial entre mãe e filho – além de trazer inúmeros benefícios à saúde, é uma forma da mãe desenvolver um vínculo ainda maior com a criança;
  • Mas a fase pode trazer à tona muitas incertezas e inseguranças;
  • Não se preocupe! O Bebê em Foco conversou com especialistas para sanar algumas dúvidas e trazer às mães o conforto da informação.

A amamentação é um momento muito especial entre mãe e filho – além de trazer inúmeros benefícios à saúde, é uma forma de desenvolver um vínculo ainda maior com a criança. Há quem pense que este é um processo natural e sem maiores problemas. Mas, acontece que é uma fase que pode trazer à tona muitas incertezas e inseguranças.  No entanto, não se preocupe! O Bebê em Foco conversou com especialistas para sanar algumas dúvidas e trazer às mães o conforto da informação. 

Mas afinal, o que é amamentação?

O que é amamentação? (Foto: Freepick)

Lucilia Santana Faria, coordenadora médica da UTI Pediátrica do Hospital Sírio-Libanês explica que amamentar é oferecer o seio ou ordená-lo  para alimentar o bebê com o leite materno. “Ao oferecer o leite materno à criança no início da vida, a mãe tem a oportunidade de ofertar a melhor alimentação possível e mais adequada para o seu bebê, proporcionando melhor saúde física e mental ao longo da vida”, explica a especialista.

Para Jorge Huberman, pediatra e neonatologista, esse momento fortalece o vínculo mãe-filho. “Do ponto de vista psicológico, a amamentação proporciona um contato pele a pele, que tranquiliza o bebê e costuma ser muito prazeroso para a mãe. Os mesmos hormônios que estimulam a produção de leite também proporcionam uma sensação de bem estar na mulher”, explica. O especialista ainda reforça: “A maioria das mulheres que amamentam acham que essa experiência, seja no peito ou na mamadeira, aproxima mãe e filho e as deixam mais confiantes quanto à capacidade que terão em cuidar bem dos próprios bebês”.

Quais os benefícios da amamentação para a saúde ?

Amamentar traz benefícios (Foto: Freepick)

Amamentar traz benefícios à saúde e eles estão relacionados diretamente ao tempo de aleitamento exclusivo – quanto maior o tempo, maiores os benefícios. Segundo Mônica Carceles Fráguas, pediatra e neonatologista da Maternidade Pro Matre Paulista, para a mãe, a amamentação reduz o risco de câncer de mama e de ovários, diminui o sangramento pós-parto, ajuda na perda de peso, além de diminuir o risco de doenças cardíacas. Já para o bebê os benefícios incluem a melhora da defesa contra infecções. “Além disso, a amamentação melhora o desenvolvimento cognitivo, reduz o risco de diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares na criança”, diz. 

Huberman ainda garante que o  leite materno é o alimento mais completo para qualquer bebê. “Ele é composto em sua maior parte por açúcar (lactose), proteínas de fácil digestão, e gordura (ácidos graxos digeríveis) – todos devidamente balanceados para satisfazer o bebê e protegê-lo de doenças como infecções no ouvido, alergias, vômitos, diarreia, pneumonia, bronquiolites e meningites. Além disso, o leite materno possui inúmeros minerais e vitaminas, bem como enzimas que facilitam o processo digestivo”, explica. 

Os especialistas ainda afirmam que existem muitas razões práticas para se amamentar no peito. O leite materno tem baixo custo comparado com o que se gasta com as fórmulas. Além disso, não requer preparação prévia e geralmente está disponível sempre que necessário. Outra vantagem é que para a maioria das mulheres que amamentam, a perda de peso após o parto se torna mais fácil e o útero retorna mais rapidamente ao seu tamanho original.

Qual a forma correta de amamentar?

(Foto: Freepick)

A forma correta de amamentação é uma dúvida frequente entre as mães. Seguindo alguns passos, a alimentação do bebê vai ser tranquila e divertida:

  • Em primeiro lugar, é unânime entre os especialistas consultados: quanto mais relaxada e segura você se sentir, mais rápido o leite irá descer;
  • Sente-se em uma poltrona confortável, com um bom apoio para as costas e para os braços;
  • Ouça músicas suaves e tome bastante líquidos durante as mamadas;
  • Não fume, não consuma álcool e não tome nenhum medicamento enquanto estiver amamentando sem consultar o seu médico, pois qualquer uma dessas atitudes pode ser extremamente prejudicial ao bebê;
  • Se o ambiente da sua casa costuma ser barulhento e agitado, encontre o seu “cantinho do sossego” para poder amamentar o bebê.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca alguns pontos-chave que caracteriza o posicionamento (ou pega) adequado:

  • Coloque o rosto do bebê de frente para a mama, com o nariz na altura do mamilo;
  • O corpo do bebê precisa estar colado no corpo da mãe;
  • Posicione o bebê com cabeça e tronco alinhados (pescoço não torcido);
  • E por fim, tenha certeza que o pequeno está bem apoiado.

Quanto tempo deve durar a amamentação?

(Foto: Freepick)

“O tempo que a mãe e o bebê desejarem”, explica a pediatra Patrícia Rezende. “A gente estipula que devem ser seis meses de aleitamento materno exclusivo. Isso significa, sem água, chás ou sucos. Lembrando que o leite materno é o principal alimento no primeiro ano de vida e o aleitamento deve ser mantido até dois anos ou mais”, avalia.

A pediatra Mônica Fráguas concorda e ainda acrescenta: “Depois dos seis meses, outros alimentos devem ser introduzidos, mas a amamentação deve continuar até dois anos ou mais. Estas são as recomendações da Organização Mundial da Saúde. Deste modo os benefícios do leite materno são mais aproveitados”.

E qual o tempo certo de mamada?

Para Lucila,  o tempo de permanência na mama, em cada mamada, não deve ser fixado, já que o tempo necessário para esvaziar uma mama varia para cada dupla, mãe e bebê e, numa mesma dupla pode variar dependendo da fome da criança, do intervalo transcorrido desde a última mamada e do volume de leite armazenado na mama.

Como saber se a pega do bebê está correta? 

Como conhecer a pega correta? (Foto: Freepick)

É importantíssimo saber: a pega correta não deve causar dor e nem lesões nos mamilos da mãe. No início da mamada, durante as primeiras sugadas pode haver um pouco de dor que, alguns segundos depois, desaparece. Os mamilos podem apresentar sensibilidade nos primeiros dias, mas as lesões não devem acontecer se a pega estiver correta.  

Além disso, para pegar corretamente, o bebê deve estar bem posicionado. A mãe deve esperar que ele abra bem a boca para poder abocanhar uma boa parte da aréola, além do mamilo. “Se pegar somente o mamilo causará dor e lesões nas mamas”, explica Mônica. “Com a pega errada o bebê pode, ainda, não conseguir retirar muito leite. Na pega correta as bochechas do bebê ficam arredondadas e sem covinhas, não solta facilmente a pega, a mãe não sente dor, não são ouvidos ruídos de escape de ar ou estalos e o bebê fica saciado”, alerta a pediatra. 

Dificuldades na amamentação

Amamentar pode ser difícil (Foto: Freepick)

Ser mãe de primeira viagem pode significar ter dificuldades para colocar o bebê para mamar por falta de prática e jeito para segurar uma criança tão pequena. Alguns bebês também apresentam uma dificuldade inicial para pegar, mas tudo isso, em geral, se resolve com a ajuda de pessoas experientes. Entretanto, conseguir a pega correta pode demorar algumas mamadas, além disso a ocorrência de lesões mamilares dificulta bastante a amamentação e por esta razão deve-se ter bastante cuidado e atenção com a pega correta. 

No entanto, existem outros problemas como:

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Mamilos rachados

Se o bebê não estiver bem posicionado no peito ou não souber sugar corretamente quando começar a mamar, você pode acabar tendo os mamilos rachados ou machucados. Se o seu mamilo ou outras regiões do peito estiverem muito doloridos, procure orientação de algum grupo de apoio à amamentação. 

De acordo com Huberman, para aliviar, lave os seios somente com água, não com sabonete. Cremes e loções não costumam ajudar, pelo contrário, normalmente agravam o problema. Procure variar a posição do bebê na hora de amamentar, limitando a duração das mamadas em cada peito para 5 a 10 minutos no máximo. Outra dica é: depois das mamadas, tire um pouco de leite, passe sobre os mamilos e deixe secar. Esse leite ajudará na cicatrização. 

Leite empedrado

Como já mencionamos, os seios podem ficar doloridos e “duros” se o bebê não se alimentar bem e com frequência nos primeiros dias após a descida do leite. É normal acontecer o empedramento do leite quando se inicia a amamentação, mas casos mais severos precisam de ajuda médica. 

O melhor tratamento para casos comuns, segundo o pediatra Huberman, é a ordenha entre as mamadas, e ter certeza de que o bebê mame em ambos os seios a cada mamada. Banhos mornos também ajudam o leite a descer. Então procure tirar leite debaixo do chuveiro ou use compressas mornas. Você também pode tentar usar compressas mornas ao amamentar e compressas frias entre as mamadas.

Mastite

Mastite é uma infecção no peito causada por uma bactéria. Ela causa inchaço, calor e dor, geralmente em um peito ou parte dele, levando a mãe a um estado febril e a se sentir mal. Apesar de comum, esses casos devem ser tratados por um  médico, que vai receitar algum antibiótico para conter a infecção e que ao mesmo tempo possibilite a continuação da amamentação.

Quando fazer o desmame?

(Foto: Freepick)

O desmame deve ser feito em um momento que seja escolhido pela mãe e pela criança. Um momento confortável, afinal, a amamentação não tem data de validade. “A gente preconiza seis meses de aleitamento materno, porém é possível manter por dois anos ou mais. O leite materno nunca vira água, nunca perde propriedades, então quanto mais aquela mãe puder e quiser amamentar, melhor”, orienta Patrícia Rezende. 

“Quando se opta pelo desmame deve-se reduzir o número de mamadas, conversando com a criança e explicando cada passo para seu filho. Se preciso, proponha trocas”, explica Lucila. Os especialistas ainda garantem, que o desmame deve ser gradual. Além disso, não é recomendado que a mãe passe nenhuma substância na mama para alterar o gosto, ou tome qualquer medicamento para secar o leite, por exemplo. 

Quando doar leite?

Sempre que a mãe tiver produção de leite maior do que o consumo de seu bebê, poderá doar.  De acordo com os especialistas, qualquer mulher pode doar leite e qualquer quantidade pode ajudar. A mulher pode ordenhar o leite no intervalo entre as mamadas. Ela deve usar um pote de vidro, com tampa de plástico, deve higienizar as mãos e a mama antes e esse leite deve ser congelado e identificado com a data e a hora da coleta e enviado para o banco de leite. Vale ressaltar que este é um ato muito grande e especial de solidariedade.

E por fim, é muito importante que as mulheres saibam, que quase todas podem amamentar. Que o início pode não ser fácil, e não é fácil para a maioria. São muitas mudanças acontecendo ao mesmo tempo. Algumas mães de primeira viagem nunca nem pegaram um bebê no colo ou viram uma criança ser amamentada. É tudo novo. 

E nestes casos, alerta Mônica, a informação de qualidade durante o pré-natal e no pós-parto é muito importante. “É necessário ter cuidado ao obter as informações – procure fontes seguras e profissionais”, orienta a pediatra. 

Especialistas: Jorge Huberman é pediatra e neonatologista e atende aos seus pacientes em seu consultório no Instituto Saúde Plena, em Moema, SP | Lucilia Santana Faria, coordenadora médica da UTI Pediátrica do Hospital Sírio-Libanês | Mônica Carceles Fráguas, pediatra e neonatologista da Maternidade Pro Matre Paulista | Patrícia Rezende é pediatra do Grupo Prontobaby.