Aborto espontâneo: conheça os sintomas e saiba porque acontece

As estatísticas sugerem que a cada 10 mulheres, duas perdem o bebê nas primeiras semanas de gestação. Entenda melhor sobre o aborto espontâneo

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Resumo da Notícia

  • As estatísticas sugerem que a cada 10 mulheres, duas perdem o bebê nas primeiras semanas de gestação;
  • Falar de aborto espontâneo foi tabu por muitos anos – principalmente pela culpabilização das mulheres ;
  • Mas a gente reuniu especialistas e relatos para te mostrar que a culpa não é sua e que a esperança deve ser mantida sempre!

As estatísticas sugerem que a cada 10 mulheres, duas perdem o bebê nas primeiras semanas de gestação. Algumas mães nem percebem o abortamento, no entanto, outras contavam cada segundo para o nascimento do novo amor da vida delas e têm esse sonho interrompido. Acontece que falar de aborto espontâneo foi tabu por muitos anos – principalmente pela culpabilização das mulheres – mas o Bebê em Foco reuniu especialistas e relatos para te mostrar que a culpa não é sua e que a esperança deve ser mantida sempre! 

Quais as causas mais comuns de aborto espontâneo?

Aborto espontâneo (Foto: Freepick)

Para que fique claro, de acordo com os médicos, o abortamento é um processo no qual existe a interrupção da gravidez espontaneamente, ou seja, não é provocado pela mulher. Em relação às causas, de acordo com Maurício Abrão, chefe do Setor de Ginecologia avançada da A Beneficência Portuguesa de São Paulo,  o mais comum é que os problemas estejam relacionados com a qualidade do óvulo ou do embrião – e essa são causas cromossômicas.  “No caso de mulheres maiores de 35 anos, as chances de ocorrerem causas cromossômicas é ainda maior”, explica.

Também existem outras causas possíveis como problemas hormonais; endometriose, causas infecciosas e traumáticas. “É importante termos consciência de que 10 a 15% das mulheres enfrentam o abortamento. Claramente, o primeiro abortamento é algo que pode impactar emocionalmente o casal, mas é algo relativamente comum, tendo em vista esse dado”, orienta Abrão.

Quais os sintomas do aborto espontâneo e como prevenir? 

Os sintomas mais específicos são a cólica intensa e o sangramento vaginal – se qualquer uma dessas coisas lhe ocorrer durante a gestação, procure um médico. Mas, é importante saber que quando os sintomas aparecem, o especialista deve diagnosticar se abortamento pode ser classificado em evitável e inevitável. 

Se for evitável – quando há alguma chance de o bebê nascer saudável – alguns cuidados podem ser tomados: repouso, ultrassom sempre que possível, para saber se existem batimentos cardíacos regulares. Em alguns casos também são utilizados medicamentos para cólicas, que também é uma forma de atuar na prevenção.

Entretanto, há situações com sangramentos mais graves onde abortamentos são inevitáveis. 

Eu posso tentar de novo?

Não tenha dúvidas sobre aborto espontâneo (Foto: Freepick)

Para a maioria das situações, sim. Nas causas genéticas, o tratamento tem apoio da reprodução assistida, que pode selecionar embriões ou utilizar doadores de óvulos e esperma saudáveis – aumentando as chances de sucesso. 

Para tentativas “naturais”, depois do aborto espontâneo é seguro fisicamente tentar engravidar novamente um mês após a primeira menstruação da mulher – se ocorrer normalmente. Agora, no caso de ter havido intervenções médicas durante o procedimento, é aconselhável esperar cerca de três meses ou  dois ciclos menstruais regulares. 

A culpa não é sua! 

De acordo com uma reportagem da Parents publicada pela Pais & Filhos, para historiadores, desde a idade média as mulheres se culpam por não conseguirem dar filhos aos seus maridos: “As razões para o aborto foram um mistério médico até muito recentemente, pois as mães sempre foram consideradas o problema. Nos anos 1500, o médico inglês Thomas Reynalde escreveu que dançar ou pular; sentir raiva, tristeza ou alegria repentina; e gastar muito tempo no frio poderia levar ao aborto”.

Séculos depois, as consequências a longo prazo de toda essa humilhação materna e culpabilização da mãe são fáceis de ver. As mulheres tradicionalmente mantêm o segredo da gravidez até os três meses e escondem sua dor de abortarem a qualquer momento ao longo do caminho. Mas, como os médicos explicaram, o abortamento é um processo espontâneo que independe da vontade da família ou da mulher. 

Relato de mãe

Lívia Aragão McCardell, de 41 anos, é mãe da Laís, de 5 anos. No entanto, a pequena foi fruto de muita esperança e inúmeras tentativas. A profissional de comunicação sofreu cinco abortos espontâneos antes de ter uma gravidez completa. 

“Após cinco anos casada e muito planejamento, resolvemos que era hora de  tentar engravidar”, começou. “Engravidei super rápido, aos 31 anos, e o primeiro aborto espontâneo aconteceu dois dias depois do ultrassom transvaginal”, disse.

A mãe contou que esse primeiro exame apontou que estava tudo bem com a gestação e que os pais chegaram até a escutar o coração do bebê, com cerca de 5 a 6 semanas. “Não senti nada, foi tudo rápido, acordei com muito sangramento, fui ao hospital e foi constatada a perda. Foi triste, sentimos um vazio por dentro, porque estávamos hiperfelizes, já tínhamos contado e comemorado com a nossa família. Até já tínhamos ganhado alguns presentinhos para o bebê´”, relatou.

Lívia contou que logo descobriu que era “normal” perder o bebê na primeira gestação e se conformou com a certeza de que em breve tentariam novamente. E assim fez. Após três meses estava grávida. Até que, com dez semanas de gestação, sem sentir nada incomum, a mãe fez outro ultrassom de rotina para acompanhar a gestação e descobriu que tinha perdido o segundo bebê.

Relato sobre aborto espontâneo (Foto: Freepick)

“Dessa vez foi bem mais cruel, porque além de já ter escutado o coração do bebê, ele não tinha sido expelido, então pude ver o formato dele dentro de mim direitinho, porém o coração já não batia mais”, lamentou. “O médico pediu para eu aguardar uns dias para ver se eliminava naturalmente, mas não deu certo e precisei fazer uma curetagem. Além das fortes cólicas que sucedem um aborto, tem a dor emocional, que é muito grande e nos deixa frágil demais”, explicou. 

O médico de Lívia recomendou que a mãe  procurasse algum especialista em medicina fetal. “Depois disso, minha vida virou uma loucura. Foram idas a médicos especialistas, fazendo e repetindo um monte de exames e nada de diferente era detectado. Sempre ouvia que perder era normal e que deveríamos apenas continuar tentando”, disse.

Nesse período, Lívia acabou engravidando e perdendo outros três bebês, mesmo tomando todos os cuidados recomendados pelos médicos. “Acabei me acostumando, e já nem vibrava mais a cada gestação, pois ficava insegura e com muito medo. Não contávamos para ninguém, só eu e meu marido sabíamos das gestações”, falou. 

“Cheguei a ver que havia perdido um bebê no banheiro do escritório que trabalhava e voltei depois normalmente à minha mesa, como se nada tivesse acontecido.  Estava cansada de sofrer por isso e já estava prestes a desistir”, desabafou. 

Família McCardell (Foto: Freepick)

Lívia ainda lembrou que os homens também sofrem muito com essa perda. “Todas as atenções ficam voltadas para a mulher, mas vi como meu marido sentia e sofria comigo em todas as perdas”, desabafou.

Prestes a desistir, o casal resolveu tentar a última chance, com um novo médico. Foram feitos novos exames que identificaram uma endometriose a qual Lívia tratou. Meses depois, aos 35 anos, a mulher engravidou pela sexta vez e se surpreendeu: “Tive uma gravidez tranquila e muito bem sucedida da minha filha Laís”.

Mudança de cenário 

Aborto espontâneo (Foto: Freepick)

É por relatos como o da Lívia que as redes de apoio são muito importantes. Seja em grupos de outras mães, com psicólogos, nas redes sociais ou entre a família, falar sobre o aborto espontâneo é necessário. Os impactos do abortamento sobre a saúde mental são normalmente muito significativos – dor é dor, e perder um filho não é fácil – mas a culpa não é sua!