Relato de mãe: “Quase morri pois me cobrava por não poder ficar doente”

Kristina precisou ser diagnosticada com sepse para refletir sobre sua rotina

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Resumo da Notícia

  • Uma mulher fez um relato emocionante sobre a dor e a delícia da maternidade
  • Kristina Wright é mãe e precisou se aproximar da morte para perceber que autocuidado é necessário 
  • Muitas mães se identificaram com o desabafo nas redes sociais

Mulher faz desabafo sobre maternidade (Foto: Phil Hearing / Unsplash)

Kristina Wright é mãe. Nesta terça-feira (10), a mulher, foi convidada para escrever ao portal Huffington Post e  fez um relato emocionante sobre a dor e a delícia da maternidade. Ela precisou se aproximar da morte e passar por um tratamento médico para não perder a vida – e lembrar de se importar, primeiro, consigo mesma.

É um fato: as mães são muito ocupadas. Mas para Kristina, cuidar de si é o primeiro passo para cuidar bem dos outros. A mãe descobriu que cuidar de si é saúde. E ela precisou aprender isso na marra. 

Em meio a rotina agitada – entre o feriado de Páscoa e aniversários chegando – a mulher começou a ter sintomas de resfriado e não se preocupou; eles haviam acabado de passar pelo inverno. “Eu ignorei os sintomas, já que a maioria das mães com crianças pequenas ignora qualquer coisa menos que uma emergência médica completa e segui em frente, tomando um pouco de vitamina C e ibuprofeno”, justificou e seguiu: “Eu tinha um bolo de aniversário para assar e cestas de Páscoa para construir. Tinha responsabilidades e prazos. Não tinha tempo para isso”.

Em 72 horas, os sintomas passaram de simples para gravíssimos e Kristina foi internada. “Eu só lembrava dos meus garotinhos em pé ao lado da cama perguntando se eu estava com vontade de brincar, meu marido me checando para ver se eu precisava de alguma coisa e eu dizendo: Eu estou bem”, mas ela não estava. 

A mulher foi diagnosticada com sepse, uma infecção generalizada que pode ser fatal. A infecção pode afetar todo sistema imunológico e dificultar o funcionamento dos órgãos. Em resposta, o organismo provoca mudanças na temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca, contagem de células brancas do sangue e respiração. As formas mais graves de sepse também podem causar uma disfunção de órgãos ou o chamado choque séptico, e sim, Kristina também teve. 

Um dos muitos médicos que cuidaram dela durante sua permanência no hospital, comentou com ela: “Se você esperasse mais 12 horas, provavelmente estaria morta”. 

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“Se meu marido não tivesse me forçado a ir ao médico, eu provavelmente teria entrado em parada cardíaca e morrido. Eu tive sorte de estar viva. Foi um refrão repetido várias vezes. Eu tinha chegado tão perto de morrer. Mais de quatro anos após o fato, ainda é um pensamento difícil de processar”. 

A mãe explicou que isso aconteceu por que ela tinha uma regra que a ajudava a não perder tempo com coisas “desnecessárias”. “Eu tinha uma regra de três dias para doenças: se, depois de três dias de descanso e líquidos, eu ainda não estivesse me sentindo melhor, eu procurava um médico”. 

Kristina recebeu alta e atualmente esta bem. Mas depois de tudo isso, ela refletiu: “Quero poder dizer que aprendi a cuidar melhor de mim mesma, mas quase morrer não me livrou das responsabilidades da maternidade. Embora meu marido tenha ficado vigilante nos meses que se seguiram à minha doença, desconfiado de toda tosse ou dor, logo voltei à complacência e à crença de que ficarei bem – porque tenho que ficar bem. Para a minha família”. 

A mulher ainda reconheceu que as mães tendem a ficar sobrecarregadas  e alertou para a necessidade do autocuidado: “Reconheço que faço isso devido á cargas injustas impostas a mulheres e mães. A  minha própria mãe, via algo menos do que o martírio materno como negligência dos pais. E claro, minha necessidade de ser totalmente auto-suficiente e forte, sempre . Mas, sei que não fiz nenhum favor a mim ou aos meus filhos por ser assim”, e continuou “No meu caso, o autocuidado não é um dia de spa e a compulsão visual da Netflix. Mas,  é aceitar que minhas rotinas, prazos e expectativas – externos e auto-impostos – às vezes devam ser deixados de lado em serviço à minha própria saúde. É uma lição que alguém pensaria que aprendi quase morrendo, mas que continuo tendo que reaprender”, disse a mãe finalizando o relato.