Neto com autismo e bisavó com Alzheimer lançam livro sobre a relação entre os dois

“É vital expor para as crianças o convívio com a avó ou bisavó que tenha Alzheimer, principalmente na visão de um menino com autismo”, disse o escritor Eric Francato

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A relação familiar mostra mais uma vez o quanto pode ser transformadora na cultura da sociedade. Desta vez, o afeto entre um neto com autismo e a bisavó com Alzheimer foi responsável pelo surgimento de um livro, titulado “Minha Bisa Tem Alzheimer”, escrito pelo professor de teatro Eric Francato.

Théo, de quatro anos, e dona Francisquinha Alves, de 85 anos, chamada pelo neto de Babah, convivem de uma maneira capaz de influenciar os outros ao seu redor. Os dois vivem na cidade do Rio de Janeiro e auxiliam um ao outro no dia a dia. “Quando a bisa está muito agitada, Théo coloca música pra ela ouvir no Youtube. Eles montam peça de lego. Desenham, pintam, cantam cantigas de roda…”, revelou Eric, também amigo da família, em entrevista ao site SóNotíciaBoa.

“Conversar é difícil porque ela tem Alzheimer, [mas]… ela fica lúcida quando ele corre perigo na calçada, ou sobe no sofá”, contou Eric acrescentando que o garoto busca ajudar a bisavó a “puxar” a memória. A história entre a dupla é contada no livro a partir da visão de Théo. “É um projeto de livro infantil que fala sobre o Alzheimer. Todo dia a Cláudia Alves, filha da bisa faz vídeos contando o dia a dia da família. Todos moram juntos”, explicou Eric.

Eric ainda disse que a ideia da obra é trazer inspiração aos leitores e que é “vital expor para as crianças o convívio com a avó ou bisavó que tenha Alzheimer, principalmente na visão de um menino com autismo”. O escritor é da cidade de Araras, interior de São Paulo e conheceu a família do menino por meio da internet, após descobrir o canal da dupla no Youtube, e editar alguns vídeos para eles.

“Minha Bisa Tem Alzheimer” já pode ser comprado pelo Catarse, uma plataforma de financiamento coletivo para projetos criativos, que vão dos mais simples até os mais elaborados. O projeto já vinha sendo idealizado há algum tempo, mas foi no dia 17 de janeiro de 2011 que o Catarse entrou no ar. A família afirmou que precisava atingir uma meta de R$ 1o mil e até agora, felizmente, já conseguiu atingir 90%. “Quanto mais passarmos essa meta, mais livros serão impressos. Precisamos da União de todos”, disse o professor.

De acordo com a Secretaria da Saúde, o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por padrões de comportamentos repetitivos e dificuldade na interação social, responsável por afetar o desenvolvimento da pessoa com TEA. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que há 70 milhões de pessoas com autismo em todo o mundo, sendo 2 milhões somente no Brasil.