Morre bebê que foi anestesiado e teve cirurgia adiada por falta de medicamento

Ícaro, de apenas três meses, morreu por complexidade do defeito cardíaco, que evoluiu para um colapso pulmonar, de acordo com a Secretaria da Saúde.

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“A cirurgia do bebê já tinha terminado, tudo estava bem, estavam fechando o bebê. Eram dois cirurgiões de extrema confiança, que operam muitos bebês e são especializados em cirurgias cardíacas congênitas. A parte cirúrgica correu bem, não teve problema nenhum no procedimento. Mas a cardiopatia era complexa. É uma má formação das válvulas. Esses bebês, geralmente, têm um problema pulmonar associado”, explicou Mariana Terrazas, doutor em Cirurgia Geral Tórax-Cardiovascular pela UFRJ e chefe do setor de Cirurgia Cardiovascular do HUFM.

No HUFM, há mais de 200 crianças cardiopatas aguardando na fila por uma cirurgia. Ícaro passou pelo procedimento de anestesia, que ocorreu na segunda-feira (16), porém não foi submetido ao procedimento devido a uma máquina de anestesia usada em um dos centros cirúrgicos estar danificada. Os especialistas afirmam que a interrupção da cirurgia não foi responsável pelas outras complicações cirúrgicas e o óbito.

A própria anestesista que participou da última operação na criança afirmou que, não foi detectado nenhum impacto do procedimento que ocorreu na segunda-feira, e que pudesse impedir a realização de uma outra cirurgia após dois dias. “No dia seguinte (terça-feira), todos os testes foram feitos, tudo estava nas conformidades. Estava bem, sem uso de ventilação mecânica. Mesmo sendo uma criança com quadro grave, ele ficou estável. Com o procedimento suspenso, foi aguardado o momento certo para a cirurgia. Ele estava em plenas condições, dentro da patologia, para a cirurgia”, contou a anestesista Ângela Melo.

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O HUFM é o único hospital do Amazonas que realiza cirurgias cardíacas. Ele é especializado em bebês e crianças, e possui somente um centro cirúrgico, com cinco salas de cirurgia. Entretanto, apenas três delas funcionam, pois uma encontra-se desativada por falta de aparelhagem e outra é utilizada como depósito. Por meio de denúncias de funcionários, foi informado que dois aparelhos de anestesia não estão funcionando por falta de manutenção.

 O Governo do Estado informou que realizará um pronunciamento quando for notificado, enquanto a Fundação Universidade do Amazonas (Fuam) – uma das responsáveis pelo hospital – afirmou que não teve acesso aos autos.