Morre bebê que dormia há sete meses; irmã gêmea segue lutando pela vida

Ana Julia e Ana Sofia estão internadas desde que nasceram

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Resumo da Notícia

  • Ana Julia, uma das bebês paraenses que dorme há mais de sete meses, morreu nesta semana
  • Sua irmã gêmea, Ana Sofia, continua internada
  • Caso intriga os médicos da região

A bebê Ana Júlia morreu nesta segunda-feira (27), no hospital onde estava internada desde que nasceu, no Pará. Ela e a irmã gêmea, Ana Sofia, nunca acordaram desde que nasceram, há sete meses. De acordo com o portal Correio de Carajás, o quadro das meninas está sendo estudado, mas os médicos não conseguiram chegar a um diagnóstico fechado. A hipótese e que isso seja um “erro inato de metabolismo”.

“Todos nós que acompanhamos de perto o caso das gêmeas, Ana Júlia e Ana Sofia, estamos muito tristes com a partida da Júlia, mas com o conforto de saber que Deus faz tudo na hora certa. Ele a levou, pra um lugar lindo, onde não há dor, onde ela brinca, sorri… e deixou muita saudade!”, disse Izabella Sad Barra, pediatra das crianças. E completou, em apoio à mãe das meninas, Luana Tintiliano da Silva:”Que Deus conforte a Luana, um exemplo de mãe, que não desgrudou dessa princesa nem um minuto, a à vozinha também. Duas grandes mulheres, fortes e cheias de amor. Estamos orgulhosos de vocês, e compartilhamos da sua dor. Vou orar pra Deus te consolar, mãezinha. E força, porque a Ana Sofia precisa de você.”

Ana Julia e Ana Sofia, que dormem desde que nasceram (Foto: Reprodução)

Em entrevista ao G1, a pediatra intensivista da UTI, Helena Coelho, disse que está sendo realizado um estudo pelo hospital para determinar qual é realmente a doença. “Erro inato do metabolismo foi o diagnóstico por exclusão, mas não é o definitivo. Estão muito comatosas. Elas só têm os reflexos primitivos. Elas não acordam. Elas têm convulsões constantes”.

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“É uma doença genética que pode ter resultado de várias outras coisas, de glicose, e fatores que comprometam o metabolismo. O paciente tem o quadro neurológico afetado, comprometimento da respiração e quadro comatoso”, explicou a médica com mais detalhes a situação, acrescentando que “não temos nada fechado. A gente tem que fazer exames mais específicos que não temos como fazer no nosso hospital”. De acordo como diretor técnico do hospital, Rodolfo Skrivan, a unidade não dispõe de alguns exames genéticos para esclarecer a situação.

A mãe, Luana Tintiliano da Silva, além de ter sido diagnosticada com miomas no útero, passou por uma cirurgia de apêndice quando estava grávida de três meses. Porém, a equipe médica descartou qualquer relação da cirurgia com o estado atual das meninas. Após o parto, Luana passa as noites no hospital, em uma cadeira reclinável. Ela disse que já ficou cinco dias sem dormir. “Eu fiquei bem após a cirurgia e até o nascimento das crianças, que nasceram aos oito meses por decisão médica. Quando elas nasceram, as meninas não choraram, e isso assustou os médicos. Elas não se mexiam, não esboçaram nenhuma reação. Tinha uma mulher no laboratório que disse ficou impressionada, não estava entendendo porque elas não se mexiam”, relatou a mãe, também em entrevista ao G1 na época.