Morre bebê de 11 dias e médica desconfia de maus tratos

Sofia Gomes Fonseca de apenas 11 dias, morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória

Categorias

Compartilhe

Na última segunda-feira (16), na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, Sofia Gomes Fonseca de apenas 11 dias, morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória no Hospital Risoleta Neves. A menina já havia sofrido uma parada cardíaca em menos de 24h .

De acordo com o G1, o hospital disse que a bebê deu entrada na unidade no domingo (15) devido a uma parada cardiorrespiratória. A equipe médica afirma ter conseguido reanimá-la, mas, infelizmente, ela sofreu uma outra parada e faleceu. Uma das médicas contou que desconfia que Sofia teria sofrido maus tratos, então decidiu acionar a polícia. A mãe da menina foi levada a delegacia para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido.

Maus tratos no Brasil

Segundo o jornal Estadão, o Disque 100, canal do Ministério de Direitos Humanos, recebeu 144.580 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes em 2016. Portanto, são 396 ocorrências por dia. A maioria (71,3%) das denúncias registradas é por negligência, seguido de agressão psicológica (44,5%) e violência física (42,1%).

No ano de 2018, o estudo Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil, realizado pela Fundação Abrinq, divulgou dados sobre a situação social dos menores de idade no país. De acordo com os dados do Ministério, os principais suspeitos/denunciados são as mães (41% dos casos) e pais (18%) e mais da metade dos casos (53%) são de ocorrências na própria casa da criança.

Em entrevista ao jornal, Heloisa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), o número de denúncias ainda é muito alto e muitas das violências contra as crianças não são denunciadas. Logo, o número, infelizmente, é subestimado. “Em parte porque a agressão ocorre dentro de casa, mas também porque muitas pessoas ainda pensam que não devem interferir no ambiente familiar”, disse a administradora. Heloisa ainda disse que os menores mais vulneráveis aos maus tratos são aqueles que já tiveram outros direitos violados pelo Estado, como o acesso à assistência social, educação e saúde.

-Publicidade-

“Os dados mostram que quem agride é quem deveria proteger essas crianças. Por isso, a importância de capacitarmos quem trabalha nas escolas e unidades de saúde para que saibam identificar os sinais de violência. Precisamos de um esforço em conjunto para reverter esse quadro tão triste”, explicou Heloisa.

Caso do menino Bernardo

No dia 5 de dezembro, em Palmeiras, Bahia, o corpo de Bernardo, de um ano e 11 meses, foi encontrado. De acordo com as investigações, o crime foi premeditado pelo pai do menino, Paulo Roberto de Caldas Osório. Ele confessou que sequestrou e matou o filho, e depois o deixou em uma rodovia. Bernardo estava desaparecido desde o dia 29 de novembro e a mãe disse que tinha a esperança de ainda encontrá-lo.

O delegado responsável pelo caso, Leandro Ritt, afirma que o pai buscou o filho em uma creche, e depois o medicou com quatro comprimidos para dormir. “Não há dúvidas de que ele queria matar. A dose foi letal”, explica o delegado.