Menino de três anos tenta cortar o pênis com uma tesoura sem ponta

Miguel que se tornou Mirela, apenas aos oito anos, passava por um transtorno de gênero

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Resumo da Notícia

  • Miguel tinha apenas dois anos de idade quando considerou que não queria ter um “pipi”;
  • A mãe do menino contou que dificultava para a criança e demorou para entender;
  • O menino que se tornou Mirela, passava por um transtorno de gênero.

Miguel tinha apenas dois anos de idade quando considerou que não gostava de carrinhos, armas e bonecos de luta.  De acordo com a mãe, o pequeno queria deixar o cabelo crescer e cortar o “pipi”. O garoto também pedia à mãe alguns brinquedos considerados femininos. 

Elaine Horita, 41 anos, gerente de compras e mãe do menino contou que dificultava para a criança: “Ele pedia boneca e eu comprava bonecos, como Playmobil. Ele brincava de maternidade com os bichinhos de pelúcia e eu e meu marido julgávamos que era uma fase e ia passar”, conta.

“Durante todos esses anos limitei a experiência da minha filha porque eu não era o tipo de mãe que deixava a criança livre para escolher suas roupas ou brinquedos. Quando ela queria algo de menina, pedia para a minha irmã. Uma vez, ganhou um vestido de princesa completo, com sapatilha e coroa, mas eu escondia no armário, para desviar a atenção dela”, conta Elaine. 

Miguel já tinha oito anos quando a mãe permitiu que ele se tornasse Mirela. Hoje com 9 anos, o pequeno tem o  auxílio do Ambulatório de Gênero na Infância da Universidade de Campinas (Unicamp).

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Para Elaine esse processo foi muito difícil. Tanto para ela e o marido, quanto para o filho. A mãe contou que aos três anos, o menino tentou cortar o pênis com uma tesoura sem ponta. A mulher disse que foi a partir daí, que começou a ouvir o termo: transtorno de gênero. 

Menino tem crise de gênero com dois anos (Foto: Reprodução/Pinterest)

“Mas como todos falam que pode ser uma fase, você se apega a isso e se confunde. Nunca proibi nada, mas eu dificultava. Ela precisava de muitos enfrentamentos para eu ceder e hoje tenho a noção de como isso a maltratou. Mas sei também que era normal agir assim porque ninguém quer um confronto social”, desabafou.