Gêmeas criam projeto de leitura infantil em comunidade do Rio de Janeiro

Objetivo é incentivar pessoas negras a se amarem através de outras histórias

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Resumo da Notícia

  • Helena e Eduarda criaram um canal no Youtube para falar sobre literatura infantil.
  • As gêmeas organizam encontros mensais para realizar rodas de leitura.
  • Elen Ferreira, a mãe das meninas, acreditam que elas não sejam excepcionais.

O hábito de ler iniciado na infância faz com que as crianças cresçam rodeadas de livros e de informação. Baseando-se nisso, as gêmeas Helena e Eduarda Ferreira, de 11 anos, criaram um projeto de leitura infantil. Pretinhas Leitoras foi desenvolvido em 2015 dentro da casa das meninas e é dedicados às crianças da comunidade e seu entorno. Nascido como uma alternativa à realidade de violência do Rio de Janeiro, as rodas de leitura ocorrem no Morro da Providência, a primeira favela do Brasil.

Em entrevista ao portal R7, Helena explicou o que desencadeou a ideia e o porquê terem escolhido a leitura para nortear este projeto. “A gente morava em uma região que tinha muito tiroteio e por isso tínhamos que ficar dentro de casa. Primeiro pensamos em fazer algo diferente, um canal. Mas quando pesquisávamos crianças se divertindo, só encontrávamos imagens delas jogando jogos. Pensávamos como podiam se divertir só na frente do computador”.

Helena e Eduarda, criadoras do projeto Pretinhas Leitoras (Foto: Reprodução)

Com a data de estreia no Dia das Crianças, o canal no Youtube foi criado três anos depois, em 2018. Nele as meninas compartilham com os internautas o que mais amam fazer: ler. E, mesmo se denominando “booktuber”, é na presença do dia a dia que Eduarda e Helena compartilham o amor da leitura com diversas crianças. Os encontros ocorrem mensalmente e durante as rodas são debatidos livros escolhidos de acordo com os sentimentos e aflições das suas realidades. É possível citar, como exemplo, o enfrentamento do racismos nas escolas.

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Durante a conversa com o portal, Eduarda compartilhou que, para ela, os livros são como “forma de incentivar pessoas negras a se amarem através de outras histórias”. A menina que tem em sua biblioteca pessoal livros como Solta os cabelos, Maria; Meu crespo é de rainha Amoras, deseja fazes doutorado em literatura negra. Já a irmã, Helena, deseja ser professora para contar “a história do nosso povo” e sonha com uma vida diferente para as crianças da região.

Elen Ferreira, mãe das gêmeas Helena e Eduarda (Foto: Reprodução)

Elen Ferreira, mãe de Helena e Eduarda, é professora do ensino básico e pesquisadora voltada para infâncias. A educadora com vasta experiência com crianças, afirma: “Minhas filhas não são excepcionais. Não são mais ou menos inteligentes, são crianças que tiveram acessos”, explica Ferreira, referindo-se à carência de infraestrutura na região. Na favela, não tem biblioteca e espaço de teatro. “Nós temos crianças fadas ao encarceramento domiciliar sem cometer delito nenhum. O país prepara infâncias negras e pobres para ficarem enclausuradas desde a tenra idade”. O desejo tanto das gêmeas quanto da mãe é o mesmo: que as crianças tenham acessos à biblioteca e um local que possam se sentir seguras.