Diabetes: Brasil é o 3º país com maior número de casos entre crianças e adolescentes

No país, o número de crianças e adolescentes com menos de 15 anos diagnosticadas com diabetes tipo 1 é de 98,2 mil

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Divulgado recentemente pela Federação Internacional da Diabetes (IDF), o 9º IDF Diabetes Atlas aponta que 1,1 milhão de meninos e meninas com menos de 20 anos possuem diabetes tipo 1 no mundo. Não há um total esclarecimento sobre quais são os motivos do aumento anual global de casos, que é em torno de 3%, porém a má alimentação e obesidade são pontos significativos. No Brasil, o número de crianças e adolescentes com menos de 15 anos, diagnosticadas com diabetes tipo 1 é de 98,2 mil.

De toda a América Latina, os brasileiros são os que apresentam maior registro de diabéticos, e no ranking global, em número de casos, apenas perde para os Estados Unidos e a Índia. Entretanto, o IDF informa que a posição do Brasil é devido ao tamanho da população.

O tratamento do diabetes tipo 1 é realizado por meio de injeções diárias de insulina (Foto: Hytallo Souza)

Em entrevista ao G1, o endocrinologista pediátrico e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Raphael Del Roio Liberatore Júnior, a prevalência de diabetes tipo 1 aumentou 14 vezes em crianças e adolescentes, nos últimos 10 anos. Ele explica que no grupo mencionado, o diabetes tipo 1 “é a doença crônica endocrinológica mais frequente e a segunda ou a terceira doença crônica pediátrica, dependendo da população, mais frequente”.

De acordo com o IDF, há indicadores que apontam que o diabetes tipo 2, mais frequente em adultos, está aumentando entre o grupo das crianças e adolescentes. Mas, eles ainda afirmam que os dados estatísticos que apresentam essa informação não são confiáveis o suficiente.

A Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, do Ministério da Saúde, revelou que a obesidade aumentou 67,8% nos últimos 13 anos. O salto foi de 11,8% da população em 2006 para 19,8% em 2018. O relatório da IDF informa que o aumento da diabetes infantil é “motivado por uma complexa interação entre fatores socioeconômicos, demográficos, ambientais e genéticos”. Liberatore disse que “a obesidade é o fator de risco mais importante para o diabetes tipo 2 porque gera uma situação de resistência à ação da insulina, ou seja, o corpo não consegue usá-la para controlar adequadamente os níveis de açúcar no sangue”.

O endocrinologista e professor ainda afirma que a teoria da higiene, apresentada pelo médico inglês David Strachan, no ano de 1989,  pode ser mais uma explicação para a maior prevalência da diabetes tipo 1. A hipótese é de que os meninos e as meninas que não possuem um sistema imunológico estimulado desde cedo devido a ausência de contato com micro-organismos atuantes na natureza, e também morarem em locais totalmente limpos, estão mais inclinados a desenvolver algumas doenças. “Isso faz com que se contraiam menos doenças infecciosas e se produzam menos anticorpos contra o meio externo. Aí, como o sistema imune não tem inimigos fora, ele começa a destruir a parte de dentro, atacando o próprio organismo”, conclui o médico.

A doutora em endocrinologia e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Karla Melo, diz que o diabetes tipo 1 “em uma criança que já tenha predisposição genética para a enfermidade, o excesso de peso pode deflagar a reação imune à insulina ou de forma mais precoce ou mais intensa”, explica a médica.

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Diabetes tipo 1 e tipo 2

O Diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo. O nível de açúcar normal, para uma pessoa saudável e em jejum, é abaixo de 100 mg/dl.

Alguns sintomas do diabetes tipo são as mudanças de humor, vontade de urinar diversas vezes ao dia, sede e fome constante, e fraqueza. E o tratamento é realizado por meio de injeções diárias de insulina para manterem a glicose no sangue em valores considerados normais.

O diabetes tipo 2 se desenvolve quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. A causa está diretamente ligada ao sobrepeso, sedentarismo, triglicerídeos elevados, hipertensão e hábitos alimentares inadequados. Infecções frequentes na bexiga, feridas que demoram para cicatrizar e a visão embaçada são alguns dos sintomas da doença. Para o tratamento, é necessário impedir a digestão de carboidratos no intestino, estimular a produção pancreática de insulina pelas células e pelo pâncreas.