Damares é confrontada e diz que menina de 10 anos estuprada pelo tio não deveria ter feito aborto

A mulher deu uma entrevista no programa Conversa com Bial e falou pela primeira vez sobre o caso

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Resumo da Notícia

  • Na última quinta-feira (17), Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, deu uma entrevista no programa Conversa com Bial;
  • A mulher falou pela primeira vez sobre o caso da menina de 10 anos que foi estuprada pelo tio por anos até engravidar;
  • Damares garantiu ser contra o procedimento feito pelos médicos.

Na última quinta-feira (17), Damares Alves, Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, deu uma entrevista no programa Conversa com Bial e falou pela primeira vez sobre o caso da menina de 10 anos que foi estuprada pelo tio por anos até engravidar.

A confusão do caso se deu, quando a criança optou por fazer o aborto e um grupo de regiliosos tentaram impedir.  Existe uma investigação até dois dos assessores de Damares, ambos suspeitos de terem vazado a identidade e a localização da menina para esse grupo contra-aborto.

O direito é assegurado por lei em casos de estupro ou risco à vida da mãe, e a criança se encaixava nos dois critérios. No entanto, gerou muita discussão. A Ministra disse que coloca a mão no fogo por seus funcionários – isso porque tem certeza de que eles não se envolveram.

Damares dá entrevista no Conversa com Bial (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Damares ainda deu sua opinião. A mulher disse que discorda do procedimento médico realizado. “Os médicos do Espírito Santo não queriam fazer o aborto, eles estavam dispostos a fazer uma antecipação de parto. Mais duas semanas, não era ir até o 9 mês, Bial, a criança ficar nove meses grávida, conversa com os médicos. Mais duas semanas poderia ter sido feita uma cirurgia cesárea nessa menina, tirar a criança, colocar numa encubadora, se sobreviver, sobreviveu. Se não, teve uma morte digna”, explicou ao Bial.

Entenda o caso

Manifestantes fizeram uma ação para evitar que a menina de 10 anos, grávida de três meses, após ter sido abusada sexualmente pelo tio realizasse um aborto. A criança, do Espírito Santo, teve atendimento negado no hospital de Vitória e precisou viajar para outro estado para se submeter ao procedimento autorizado pela Justiça.

O caso aconteceu na cidade de São Mateus, no Espírito Santo, e a menina segue em um abrigo recebendo apoio médico, psicológico e social.  A criança sofria abusos desde os seis anos e ela mantinha o silêncio porque era ameaçada de morte.

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Manifestação contra aborto (Foto: Reprodução/ Instagram)

Os especialistas passaram um longo período para decidir se a menina deveria  interromper ou não a gestação. Quando a interrupção foi autorizada os problemas começaram. De acordo com a coordenadora de hospital em que o procedimento seria realizado um grupo de “fundamentalistas religiosos” cercou a unidade e chamou os médicos de assassinos.

No entanto, outro grupo de manifestantes, de defesa dos direitos sexuais e reprodutivos, foi ao local para impedir que os ativistas antiaborto invadissem o hospital. A coordenadora não soube informar quantas pessoas participaram da manifestação. Em vídeos, o grupo antiaborto aparentava ter cerca de 40 pessoas.

Apesar das tentativas de invasão, os médicos conseguiram realizar o procedimento, evitando assim, que a vida da criança grávida fosse colocada em risco. A menina passa bem e segue internada para se recuperar da cirurgia.

A diretoria da instituição médica lamenta o ocorrido, e mais do que nunca defendemos a vida das mulheres e a garantia de seus direitos sexuais e reprodutivos. Temos lutado pela efetivação desses direitos no SUS, para que todas as mulheres tenham um atendimento digno — declarou ela.