Coronavírus: grávida de 35 semanas faz apelo para sair de área de risco na China

Lauren e Tom Williams vivem em Wuhan e esperam sair da região mais afetada pela nova doença antes do nascimento do filho

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Resumo da Notícia

  • Casal canadense faz apelo internacional para ser removido de Wuhan, na China, epicentro do novo coronavírus.
  • Eles esperam o segundo filho, que deve nascer nas próximas semanas.
  • Além das viagens de avião terem sido canceladas, pais se preocupam com o fechamento de estradas, que dificultará o acesso aos hospitais para o parto.

Lauren Williams está em desespero. Grávida, a mulher de 29 anos e seu marido, Tom, tentam escapar da cidade de Wuhan, epicentro do novo coronavírus na China, antes do nascimento do segundo filho do casal. Apesar de ser canadense e estar na 35ª semana de gestação, com a chegada do bebê prevista para a primeira quinzena de fevereiro, Lauren esta presa na região, colocada em quarentena depois que o vírus começou a se espalhar.

O casal vive na cidade de Wuhan há mais de quatro anos; ambos foram para lá a trabalho. Eles afirmam que sempre se sentiram seguros por lá, mesmo quando as primeiras notícias sobre o coronavírus começaram a aparecer, em dezembro do ano passado. Com a expansão do vírus pela cidade e por outras regiões da China e do mundo, as viagens para fora da China foram canceladas desde 22 de janeiro. De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Canadá, existem 167 canadenses registrados na região mais afetada pela nova doença.

Além de não poder voltar ao seu país, outra questão preocupa Lauren: as estradas locais também estão fechadas e ela não sabe como poderá ir ao hospital dar à luz. “O estresse está aumentando a cada dia no momento. Estou definitivamente sentindo culpa e medo da possibilidade de ainda estar aqui quando o bebê nascer”, disse a mãe em entrevista à CBC News.

Lauren e Tom Williams com o filho mais velho, James; segundo filho deve nascer em poucas semanas (Foto: Reprodução/Facebook)

Os pais também afirmam que toda essa situação de tensão também tem afetado o filho mais velho do casal, James, de dois anos de idade. “Ele está percebendo nossa ansiedade. Ele está um pouco mais emocional e grudento. Nós não saímos com muita frequência. E quando saímos, são máscaras faciais, luvas e chapéus e tentamos impedir que ele toque qualquer coisa”, contou Lauren.

A família buscou autoridades em Londres e Ottawa para os ajudarem a saírem de Wuhan. Eles foram informados que estão sendo organizados voos para remover os mais de 200 americanos e britânicos que vivem na região mais afetada pelo coronavírus, e a expectativa deles é que consigam embarcar em uma dessas viagens de emergência. “Sem ajuda diplomática, seria quase impossível sair. Estamos seguros e temos comida suficiente, mas estamos pedindo que o governo canadense ou britânico nos ajude a voltar para casa”, disse Tom Williams.

 

Coronavírus: a doença que deixou o mundo em alerta

O surto do novo coronavírus tem deixado o mundo em alerta. Em Pequim, a capital da China, já foram registrados ao menos 68 casos de pessoas infectadas pelo vírus desde dezembro de 2019. De acordo com um jornal local, um bebê de nove meses está entre os diagnosticados com a doença na capital chinesa.

Na última quinta-feira (23) um estudo mostrou que mais de 52% das vítimas fatais de coronavírus eram idosos e portadores de alguma doença crônica. No dia seguinte, um artigo publicado pela revista Lancet apontou que a maioria dos sobreviventes tinham até 49 anos e eram saudáveis. A pesquisa analisou os 41 primeiros pacientes diagnosticados com o novo coronavírus – seis deles morreram, e todos têm entre 49 e 66 anos. Nenhuma criança ou adolescente foi infectado e todos os sobreviventes tinham entre 25 e 53 anos.

O ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Ma Xiaowei, disse em coletiva de imprensa neste domingo (26) que o novo coronavírus pode se espalhar antes mesmo do aparecimento de sintomas. Ele também afirmou que o período de incubação do coronavírus pode variar de um a 14 dias, e que o vírus é infeccioso durante a incubação.

Ainda não existem casos confirmados de brasileiros que contraíram o coronavírus. No entanto, uma criança brasileira de 10 anos está internada com suspeita da nova doença. A criança é filha de mãe colombiana e pai brasileiro; a família mora na China, na cidade de Wuhan, que é considerada o epicentro da doença. Eles estão agora nas Filipinas, onde aproveitavam o período de férias em família. De acordo com o embaixador do Brasil nas Filipinas, Rodrigo do Amaral Souza, os pais da criança procuraram atendimento médico após ela apresentar um quadro febril. Toda a família está internada, em isolamento, e pediram para ter seus nomes preservados. Ainda segundo o embaixador, os resultados dos exames para detectar a doença devem ficar prontos nesta quarta-feira (29).