Caso Miguel: Mãe ainda em luto, escreve carta sobre perdão

“É desumano cobrar perdão de uma mãe que perdeu o filho dessa forma tão desprezível”, falou Mirtes

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Resumo da Notícia

  • Um menino de cinco anos morreu após cair do nono andar de um prédio; 
  • A criança  passava o dia com a mãe na casa dos seus empregadores – responsáveis pela sua segurança. 
  • Mirtes, mãe do menino, fala sobre perdão.

Mirtes Renata, mãe de Miguel Otávio, de 5 anos, que morreu ao cair do nono andar de um prédio no Recife afirmou que não sabe mais quem é, em carta escrita com o apoio de um advogado:  ” Tenho saudade do meu filho. O sentido da vida de quem é mãe passa pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo sorriso nas suas brincadeiras, pelo “mamãe” quando precisa do colo e do abrigo de quem o trouxe ao mundo. Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias”.

A mulher também contou que não tem rancor da patroa Sari Corte Real – quem “cuidava” do menino no momento do acidente. Apesar de não ter recebido nenhum pedido de desculpas oficial. “A carta de perdão foi dirigida à imprensa, o que me faz pensar que eu não era destinatária, mas sim a opinião pública com a qual ela se preocupa por mera vaidade e por ser esse um ano de eleição”, escreveu.

Ainda em luto, Mirtes fala sobre perdoar: “É desumano cobrar perdão de uma mãe que perdeu o filho dessa forma tão desprezível. Perdoar pressupõe punição; do contrário, não há perdão, senão condescendência. A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido: perdão. Antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente”.

Entenda o caso

Miguel, morto após cair do nono andar de um prédio em Recife (Foto: Reprodução / Facebook)

Na terça-feira(02), um menino de cinco anos morreu após cair do nono andar de um prédio no  bairro de São José, no Centro do Recife. A criança  passava o dia com a mãe na casa dos seus empregadores. A mulher é empregada doméstica. A polícia considerou a patroa da mãe negligente, e ela foi autuada por homicídio culposo.

Miguel Otávio Santana da Silva, caiu do nono andar enquanto escalava aparelhos de ar condicionado na área comum do prédio. A criança deveria estar no apartamento dos patrões da mãe, localizado no quinto andar. Segundo a polícia, o garoto procurava a mãe, que passeava com os cachorros dos empregadores – responsáveis pelo cuidado do garoto naquele momento.  O menino se perdeu no prédio até se acidentar em uma queda de 35 metros de altura. 

O menino foi socorrido na hora do acidente ainda com vida. Entretanto, não resistiu à queda e morreu no caminho do Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby. Segundo a investigação, foi um acidente. 

De acordo com o delegado, é um caso típico previsto no Artigo 13 do Código Penal, que trata de ação culposa, por causa do não cumprimento da obrigação de cuidado, vigilância ou proteção, que seria um dever da empregadora da mulher: “Ela tinha o dever de cuidar da criança. Houve comportamento negligente, por omissão, de deixar a criança sozinha”, explicou.