Caso Miguel: ex-patroa depõe sobre a queda do menino quase um mês depois

A mulher foi acusada de negligência no acidente com a criança de cinco anos que morreu após cair do nono andar de um prédio de luxo

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Resumo da Notícia

  • Nesta segunda-feira (29), a primeira dama de Tamandaré, Sari Corte Real, prestou depoimento;
  • A mulher foi acusada de negligência no acidente com o pequeno Miguel,  menino de cinco anos que morreu após cair do nono andar de um prédio de luxo;
  • Outras pessoas já deram depoimentos à policia.

Sari Corte Real prestará novo depoimento (Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal)

Nesta segunda-feira (29), a primeira dama de Tamandaré, Sari Corte Real, prestou depoimento na delegacia de Santo Amaro, centro de Pernambuco. Acusada de negligência no acidente com o pequeno Miguel,  menino de cinco anos que morreu após cair do nono andar de um prédio de luxo no começo do mês, a mulher foi ouvida. 

O depoimento começou às 6h. Sari chegou acompanhada do marido, motorista e um advogado. Logo após, outros dois advogados chegaram. Ninguém falou com a imprensa. Às 8h40, Mirtes, mãe de Miguel chegou à delegacia com o intuito de “falar algumas verdades na cara dela [Sari]”. 

A polícia tem colhido os depoimentos dos envolvidos. O  ex-síndico, zelador, uma manicure e um gerente de operações foram interrogados. 

A manicure Eliane Lopes, 29 anos, que estava no apartamento com Sari antes da morte do garoto prestou depoimento ao delegado responsável pelo caso na última sexta-feira (12).  Sari Corte Real era patroa de Mirtes e responsável pelo menino naquele momento. A manicure estava trabalhando em domicílio devido ao Covid-19. Um dos advogados de Eliane falou sobre o depoimento da mulher: “Ela não estava presente em todos os momentos do ocorrido, se manteve o tempo todo dentro do apartamento. Sari estava preocupada com o menino”. 

O gerente de operações do condomínio, Tomaz Silva, que ajudou a socorrer o menino, também foi ouvido na última sexta-feira(12): “Quem fez os primeiros socorros na criança fui eu. Foi uma cena muito triste, muito chocante. Infelizmente, senti o garoto indo embora, porque ele apertou a minha mão, eu dizendo a ele: aperta a mão do tio, a gente ainda vai jogar bola, reage! Mas, com mais ou menos um ou dois minutos, ele começou a enfraquecer e infelizmente aconteceu o que nós não queríamos”, revelou Tomaz.

O homem também afirmou que Sari estava tranquila, mas que ela quis ajudar:  “Ela disse para socorrer o menino no carro dela”. A patroa foi indiciada por homicídio culposo e deve prestar um novo depoimento nos próximos dias.

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Entenda o caso

Caso Miguel. Sari Real presta depoimento (foto: Reprodução/ Arquivo pessoal)

Na terça-feira(02), um menino de cinco anos morreu após cair do nono andar de um prédio no  bairro de São José, no Centro do Recife. A criança  passava o dia com a mãe na casa dos seus empregadores. A mulher é empregada doméstica. A polícia considerou a patroa da mãe negligente, e ela foi autuada por homicídio culposo.

Miguel Otávio Santana da Silva, caiu do nono andar enquanto escalava aparelhos de ar condicionado na área comum do prédio. A criança deveria estar no apartamento dos patrões da mãe, localizado no quinto andar. Segundo a polícia, o garoto procurava a mãe, que passeava com os cachorros dos empregadores – responsáveis pelo cuidado do garoto naquele momento.  O menino se perdeu no prédio até se acidentar em uma queda de 35 metros de altura. 

O menino foi socorrido na hora do acidente ainda com vida. Entretanto, não resistiu à queda e morreu no caminho do Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby. Segundo a investigação, foi um acidente. 

De acordo com o delegado, é um caso típico previsto no Artigo 13 do Código Penal, que trata de ação culposa, por causa do não cumprimento da obrigação de cuidado, vigilância ou proteção, que seria um dever da empregadora da mulher: “Ela tinha o dever de cuidar da criança. Houve comportamento negligente, por omissão, de deixar a criança sozinha”, explicou.