Absurdo: meninas são chamadas de “bucha 1 e bucha 2” por segurança de metrô

De acordo com a mãe, as meninas quiseram prender o cabelo após o comentário do segurança

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Resumo da Notícia

  • Meninas sofrem ato de racismo em metrô de Salvador
  • O segurança do metrô as chamou de “bucha 1” e “bucha 2”
  • Sandra também prevê ir à Delegacia Especializada de Repressão aos crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca)

Neste sábado (25), duas meninas de três anos passaram por uma situação desconfortável: o segurança do metrô as chamou de “bucha 1” e “bucha 2” devido ao cabelo delas. Segundo a mãe das crianças, as meninas quiseram prendeer o cabelo após o comentário do trabalhador.

O caso aconteceu na estação Rodoviária, em Salvador. Depois do ocorrido, Sandra Weydee, de 37 anos, denunciou o ato de racismo nas redes sociais e fez uma entrevista para a TV Bahia, contando que as meninas mudaram completamente o comportamento.

O segurança “apelidou” as meninas em referencia a lã de aço usada para lavar pratos. Depois disso, as vítimas quiseram molhar o cabelo, passar creme e amarrar com um laço. A mãe, preocupada, percebeu a mudança e a existência de um problema de aceitação.”Elas comentam e até hoje elas falam: ‘não sou bucha'”, revelou.

Racismo em Salvador: meninas são chamadas de “bucha 1” e “bucha 2” por segurança (Foto: Reprodução/Facebook)

A mãe comentou que nunca havia passado por uma situação parecida com essa e que o ato a pegou de surpresa. “Nunca aconteceu. Por isso que me surpreendeu. Inclusive quando eu estava parada com elas, duas pessoas pararam e pediram para tirar fotos com elas. As pessoas sempre acham elas bonitas, se aproximam, inclusive por elas serem bem carinhosas e amorosas com as pessoas”, destacou.

Sandra também prevê ir à Delegacia Especializada de Repressão aos crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca) na quarta-feira (29), já que está acontecendo uma paralisação dos policiais civis. Ela comenta que decidiu denunciar porque isso tem que acabar.”Nós moramos em uma cidade onde 99% é negro, com cabelo crespo. O respeito é a base de tudo. Quando a gente desrespeita o ser humano a gente está desrespeitando o próprio Deus”, disse Sandra.

“Deus criou elas assim, então eu vou lutar até o fim para que elas possam se aceitar como elas foram criadas pelo Senhor. Hoje em dia a gente vê adolescentes tentando suicídio e várias outras coisas, por não se aceitarem esteticamente ou por alguma questão familiar. Isso é muito grave. Então eu pretendo levar isso e onde eu ando as pessoas sempre falam: ‘Não deixe alisar o cabelo delas, nunca deixe tirar esses cachos, nunca mude'”, comentou.

A CCR Metrô disse repudia qualquer ato racista ou descriminatório e está estudando o caso das meninas. A concessionária disse que respeita a pluralidade da Bahia e reforçou o compromisso que tem com a igualdade étnico-racial e de gênero.